Representantes das comunidades quilombolas do Amazonas participaram do 2º Aquilombar em Brasília, evento realizado entre os dias 15 e 17 de maio de 2024, com o tema central “ancestralizar o futuro”, uma mensagem forte e necessária, que reforça a importância da valorização da sabedoria dos povos e comunidades tradicionais do Brasil. O encontro reuniu lideranças quilombolas de todo o país com o objetivo de reivindicar direitos e promover a valorização das culturas e tradições quilombolas. Além da participação nas atividades do Aquilombar 2024, a delegação da CONAQ Amazonas, apoiada pelo IEB, cumpriu uma intensa agenda de incidência política, apresentando as demandas das comunidades remanescentes de quilombo amazonenses ao Governo Federal e a outras instituições, buscando o reconhecimento, a titulação e o acesso a direitos para seus territórios.
A delegação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) do Amazonas teve uma participação de destaque no Aquilombar. A comitiva da CONAQ Amazonas foi composta por Tarciara Raquel Castro, Valcimar Negreiros, Sebastião Ferreira, Elizabeth Faustino Lopes, Wellison Faustino Lopes, João Xisto Castro e Maria Amélia Castro.
O evento contou com cobranças de lideranças da CONAQ nacional , entregas do Governo Federal e uma marcha até o Congresso Nacional. A principal exigência foi a titulação dos territórios quilombolas. Ministros, ministras e outros representantes de órgãos do Governo Federal estiveram presentes e ouviram as demandas das comunidades. Uma carta com as necessidades dos quilombos foi entregue às autoridades.
O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge, falou sobre o compromisso do governo federal em levar a certificação das comunidades quilombolas para que o INCRA possa finalmente dar a titulação dessas comunidades. Na ocasião, o presidente do INCRA, Cesar Aldrig, disse que a Instituição tem um orçamento de R$ 137 milhões e firmou compromisso de titular mais territórios ao longo do ano. “Esse aqui é o maior evento da população quilombola do país. Reconhecemos que esse país tem uma dívida enorme com o povo quilombola. O INCRA se comprometeu em titular territórios ao longo do ano e realizar a desintrusão áreas invadidas por não quilombolas.”
Cesar Aldrig ainda mencionou sobre os 35 mil hectares de portarias publicadas para os povos quilombolas. A ação faz parte do pacote de entregas do Programa de Apoio e Fortalecimento ao Etnodesenvolvimento e Acesso à Terra e ao Território (PAFE), da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais (SETEQ), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA).
Medidas do Programa de Apoio e Fortalecimento ao Etnodesenvolvimento e Acesso à Terra e ao Território (PAFE) apresentadas durante a 2º edição do Aquilombar
Durante o evento, várias medidas importantes foram anunciadas, incluindo a criação do Selo Quilombola, com a finalidade de identificar produtos de origem étnica e territorial produzidos por comunidades quilombolas. Este selo foi entregue às comunidades Tapuio (PI), Mesquita (GO), Dilô Barbosa (ES), Estiva (MG) e Estrela (PE).
Além disso, foram entregues os relatórios técnicos de identificação e delimitação (RTIDs) de duas comunidades quilombolas: Negros do Osso (PE) e Vila Juazeiro (BA). Também foram entregues portarias de reconhecimento nas comunidades Rio Andirá (AM), Olindina Cirilo Serafim (ES, Serra Salitre (MG) e Quilombo Fojo (BA).
Conquistas da Delegação da CONAQ Amazonas
A participação da delegação do Amazonas no 2º Aquilombar foi marcada por importantes conquistas que reforçaram a luta das comunidades remanescentes de quilombo por reconhecimento e direitos. Uma das vitórias mais significativas foi a entrega da portaria de reconhecimento do quilombo do Andirá, situada em Barreirinha, Amazonas. Este momento foi celebrado como um marco histórico para a delegação.
A certificação da comunidade do Rio Andirá como remanescente de quilombo é a primeira etapa no processo de regularização fundiária do território. Esta certificação abre caminho para a elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), que fornecerá uma análise detalhada dos limites territoriais e das características da comunidade. Com o RTID concluído, a Portaria de Reconhecimento pode ser publicada pelo INCRA, oficializando os limites do território quilombola.
Este processo é fundamental para garantir que as comunidades quilombolas tenham segurança jurídica sobre suas terras, protegendo-as contra invasões e possibilitando o acesso a políticas públicas específicas. A regularização fundiária é um passo essencial para a preservação do patrimônio cultural e a sustentabilidade das comunidades quilombolas, proporcionando-lhes a base necessária para desenvolverem suas atividades econômicas e sociais de maneira autônoma.
Agendas de Incidência da Delegação da CONAQ Amazonas em Brasília
A agenda da delegação do Amazonas incluiu reuniões estratégicas com diversos ministérios e órgãos governamentais. No INCRA, foram discutidas soluções para a regularização fundiária de territórios quilombolas específicos, como o Quilombo do Tambor em Novo Airão, Quilombo do Andirá em Barreirinha, Quilombo de Serpa em Itacoatiara e o Quilombo Urbano São Benedito, da Praça 14. Os representantes do INCRA, Mônica Borges e Danilo, comprometeram-se a articular soluções, como a expedição de CCDRU para comunidades dentro de parques nacionais e a arrecadação de terras fora dos limites atuais dos quilombos.
No Ministério do Meio Ambiente (MMA), a delegação enfatizou a necessidade de políticas ambientais que protejam os territórios quilombolas e seus recursos naturais. A implementação do Plano Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Territórios Quilombolas (PNGTAQ) foi um dos pontos centrais das discussões. O PNGTAQ é fundamental para garantir que as comunidades quilombolas possam gerir seus territórios de maneira sustentável, preservando o meio ambiente e suas tradições culturais.
No Ministério da Igualdade Racial (MIR), as demandas incluíram apoio à criação de secretarias municipais de Igualdade Racial, projetos de cultura quilombola, agricultura familiar e programas de bolsas de estudo para jovens quilombolas. A retomada do Programa Brasil Quilombola, agora chamado de “Aquilomba Brasil”, foi um dos pontos centrais discutidos. Este programa visa fortalecer a titulação de territórios e implementar políticas de inclusão social, garantindo que as comunidades quilombolas tenham acesso a direitos básicos e oportunidades de desenvolvimento.
No Ministério da Educação e Cultura (MEC), a delegação destacou a necessidade de acesso ao Programa Escola em Tempo Integral, reformas e construção de escolas, e formação continuada para professores quilombolas. O foco foi garantir que as políticas de educação respeitem as especificidades culturais e históricas das comunidades quilombolas, promovendo uma educação inclusiva e de qualidade. A educação é vista como uma ferramenta essencial para o empoderamento das comunidades quilombolas, permitindo que elas preservem suas identidades culturais enquanto se adaptam às demandas atuais das comunidades.
Por fim, no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), foram apresentadas demandas para inclusão dos quilombos do Amazonas em editais de tecnologias de saneamento, promovidos pelo MDS. A necessidade urgente de acesso à água potável e saneamento básico foi enfatizada, sendo questões fundamentais para a saúde e bem-estar das comunidades quilombolas. As representantes do MDS se comprometeram a trabalhar para incluir essas demandas no orçamento de 2025 e a qualificar a demanda para garantir a implementação das tecnologias de saneamento.
Fortalecimento da Identidade Quilombola das comunidades Remanescentes de Quilombo do Amazonas
A participação no Aquilombar também serviu para fortalecer a identidade quilombola e a unidade entre as comunidades quilombolas do Brasil. Representantes das comunidades compartilharam suas experiências e desafios, criando uma rede de apoio e solidariedade que transcende as barreiras geográficas. Este fortalecimento é fundamental para manter a coesão e a determinação nas lutas por direitos e reconhecimento.
A participação ativa da CONAQ Amazonas demonstrou a força e a organização das comunidades quilombolas do estado, culminando na publicação da portaria nº 496, de 15 de maio de 2024, que reconhece oficialmente a comunidade do Rio Andirá como remanescente de quilombo. Esta portaria de reconhecimento marca uma etapa importante do processo de regularização fundiária do território quilombola, um passo fundamental para garantir a segurança e a sustentabilidade dos modos de vida das comunidades.
Um Panorama Sobre as Populações Quilombolas na Amazônia
De acordo com o Censo de 2022 do IBGE, o Brasil possui 1,3 milhão de pessoas que se identificam como quilombolas. Na Amazônia, há territórios quilombolas titulados ou em processo de titulação em vários estados, mas o Amazonas ainda enfrenta desafios significativos na titulação de suas comunidades.
A primeira comunidade quilombola reconhecida no Amazonas, no município de Novo Airão, enfrenta um impasse com o ICMBio, e outras comunidades aguardam o avanço de seus processos de titulação. A regularização fundiária é um passo essencial para assegurar os direitos dessas comunidades e promover o desenvolvimento sustentável de suas atividades econômicas e sociais.
Importância das Conquistas e Próximos Passos
A participação dos quilombolas do Amazonas no 2º Aquilombar foi um marco importante na estratégia de fortalecimento da atuação da CONAQ/AM. Com apoio de organizações como o IEB e a CONAQ, essas comunidades remanescentes de quilombos do Amazonas continuam a buscar justiça e melhorias em suas condições de vida, demonstrando a importância da resistência e da resiliência na preservação de suas culturas e territórios. As conquistas e experiências alcançadas durante o 2º Aquilombar em Brasília reforçam a importância da articulação e organização das comunidades quilombolas do estado, que continuam a lutar por seus direitos reconhecidos.
A vinda da delegação do Amazonas foi apoiada pelo IEB, através do projeto Regularização Fundiária e Bioeconomia no Estado do Amazonas. Este projeto, com recursos do Instituto Clima e Sociedade (ICS), prevê a realização de eventos, apoio à elaboração de planos de ação para o desenvolvimento estratégico da atuação da CONAQ/AM, formação, diagnóstico e apoio à organização da demanda territorial quilombola no Amazonas, além do reconhecimento formal dos territórios quilombolas amazonenses.
Adicionalmente, o projeto Viver, Conservar e Produzir, financiado pela Rainforest Trust, também apoiou esta ação, por meio da estratégia de fortalecimento de grupos de jovens e mulheres da Floresta Nacional (FLONA) de Tefé e entorno.

IV Círculo do Formar Gênero e Restauração promove intercâmbio de saberes entre mulheres do Xingu, Marajó e Belém
Penúltimo círculo formativo abordou políticas públicas, artesanato e comunicação Ouvir as sementes, respirar, se relacionar com o que se produz, compreender a palavra sociobiodiversidade, reconhecer

Produção de SAFs apoiados pelo projeto Sempre Vivas, Sempre Verdes chega às escolas da Resex Verde para Sempre
Banana, macaxeira, abacaxi, mamão, limão, chicória, couve, ovos, farinha, abóbora e outros alimentos cultivados em roças, quintais e Sistemas Agroflorestais (SAFs) agora fazem parte da

IEB abre seleção para assessoria técnica especializada em tecnologias sociais de acesso à água
O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) está com processo seletivo aberto para contratação de assessoria técnica especializada em Engenharia Sanitária e Ambiental, com

Retomada do Programa Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar amplia oportunidades para comunidades e territórios
Política pública reforça a gestão sustentável das florestas e amplia perspectivas de renda, conservação e bioeconomia na Amazônia Comunidades amazônicas, organizações da sociedade civil e

Contratação de serviço especializado em design gráfico, diagramação e produção de peças de comunicação sob demanda para o Projeto Entre Ciências
Data de abertura: 17/06/2026 Data de encerramento: 27/06/2026 APRESENTAÇÃO Em janeiro de 2025, foram aprovados recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment

Comunidades tradicionais entregam carta ao Governo do Amazonas e cobram avanço no reconhecimento dos Territórios de Uso Comum
Lideranças reivindicam a regularização de mais de 1,45 milhão de hectares; governo afirma trabalhar para acelerar os processos e destaca os TUCs como uma inovação