Terroá celebra 10 anos com debate sobre Amazônia e justiça climática na “Teia da Gente”

O Instituto Terroá celebrou sua trajetória de uma década na tarde da última quinta-feira (13) com um evento no espaço “Teia da Gente – A Casa do IEB na COP 30”. Sob o tema “Diálogos Climáticos – Amazônia, Cidadania e Clima”, o debate explorou como educação, participação social e sociobioeconomia podem impulsionar a justiça climática. Para além de análises técnicas, o evento destacou vozes dos territórios, da academia e do governo, que reforçaram a urgência de colocar povos da floresta, jovens e a sociedade civil no centro das discussões da COP30. Joaquim Corrêa de Souza Belo, enviado especial da COP 30 e histórica liderança do movimento extrativista, alertou para os riscos de uma bioeconomia que se desconecta das realidades locais. “Nossa floresta está virando commodity de açaí. A bioeconomia é perigosa se não soubermos lidar com ela. Se a floresta entrar na lógica do capital, ela some”, afirmou.
Márcia Muchagata e Joaquim Corrêa de Souza Belo participaram da roda de diálogo promovida pelo Instituto Terroá
Na esfera das políticas públicas, Márcia Muchagata, do Ministério do Desenvolvimento Social, destacou avanços no combate à fome. “Os sistemas alimentares não podem ficar em caixinhas; vão desde o planejamento do plantio até a colheita e o processamento. É uma vitória o Brasil ter saído do mapa da fome pela segunda vez”, celebrou. A participação social emergiu como eixo central do debate. Mila Dezan, da Secretaria-Geral da Presidência da República, enfatizou que a COP 30 é uma oportunidade para ampliar a influência da sociedade civil nas decisões. “As organizações e movimentos sociais já têm soluções. A COP30 é das Nações Unidas e opera com regras fechadas, mas construímos um processo para trazer a sociedade para dentro”, explicou.
Representante da Secretaria-Geral da Presidência da República, Mila Dezan destacou as estratégias para ampliar a participação social durante a COP 30 em Belém
Ela detalhou iniciativas do governo para garantir essa inclusão, como a aproximação entre negociadores e movimentos sociais, um inventário de soluções que será apresentado no dia 18, e a disponibilização de espaço na Zona Verde para mais de 130 atividades. “A sociedade civil precisa estar na mesa, esse é o legado do Brasil”, defendeu. A jovem estudante amapaense Larissa Teles, da Escola Estadual Osvaldina Ferreira da Silva, trouxe a perspectiva da juventude amazônida. “As decisões tomadas hoje pelos adultos definirão o futuro das próximas gerações. Quem está nas mesas de negociação não vivencia o que passamos nos territórios”.
Ao centro, Larissa Teles, da Escola Estadual Osvaldina Ferreira da Silva
Completando a teia de vozes, Eduardo Gonçalves Gresse, coautor do Hamburg Climate Futures Outlook 2024, defendeu a pluralidade de saberes. “É preciso garantir uma diversidade epistemológica. Digo aos meus alunos para não apenas ler sobre os povos indígenas, mas para ler os indígenas, como Davi Kopenawa e Ailton Krenak”. Além dos debates, o evento marcou também o pré-lançamento do livro Trilhas da Cidadania: estratégias para uma participação ativa (Editora Senac), de Luís Fernando Iozzi Beitum, cofundador do Instituto Terroá. “O livro nasce do desejo de mostrar que é possível provocar transformações importantes em nossa sociedade por meio de diferentes formas de participação social, e inspirar novas maneiras de fortalecer a democracia no cotidiano”.
O evento também contou com o pré-lançamento do livro Trilhas da Cidadania: estratégias para uma participação ativa (Editora Senac)
As contribuições convergiram em um ponto: a COP30 representa uma chance histórica de reposicionar a Amazônia não apenas como bioma estratégico, mas como um sujeito político central para as respostas globais à crise climática.

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