Plano aprovado integra restauração ambiental e geração de renda na Resex Verde para Sempre

Documento orienta ações em 13 comunidades e marca início de estratégias que unem recuperação ecológica e inclusão socioprodutiva

A aprovação do Plano de Restauração do projeto “Sempre Vivas, Sempre Verdes” consolida uma nova fase na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre, em Porto de Moz (PA). O documento define as diretrizes para recuperar 200 hectares de áreas degradadas, alinhando conservação ambiental, geração de renda e protagonismo comunitário.

A decisão foi oficializada em 27 de abril, durante encontro na Colônia de Pescadores de Porto de Moz, que reuniu representantes de 13 comunidades e integrantes do comitê gestor do projeto. O momento também marcou o alinhamento coletivo para os próximos passos no território.

A iniciativa envolve diretamente mais de 300 famílias agroextrativistas, distribuídas ao longo dos rios Guajará, Acaraí e Jaurucu. A proposta é transformar a restauração ecológica em atividade produtiva, ampliando a segurança alimentar e criando novas oportunidades econômicas.

Da estratégia ao território

O plano organiza a implementação da restauração com estratégias adaptadas a cada realidade. Próximo às comunidades, serão implantados Sistemas Agroflorestais (SAFs), que conciliam produção de alimentos e recuperação ambiental. Em áreas de manejo florestal, o foco é o enriquecimento com espécies nativas. Já nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), as ações priorizam a recuperação da vegetação e a proteção dos recursos hídricos.

“Hoje nós já temos técnicas de plantio, já estamos até fazendo monitoramento das mudas. A área que foi tirada a mata, eu posso estar devolvendo sistemas de plantio que vão melhorar a terra e, ao mesmo tempo, continuar produzindo alimentos pra minha família e gerar renda”, conta Maria Creusa Ribeiro, moradora da Resex Verde para Sempre.

Maria Creusa, em pé, integrou a mesa composta por representantes do CDS, Aspar, IEB e ICMBio

Um dos diferenciais do plano é sua construção participativa. A definição de áreas prioritárias, espécies e estratégias foi feita a partir da escuta direta das comunidades, com reuniões e coletas de dados em campo.

“Mesmo antes da instrução normativa mais recente do ICMBio, o projeto já seguia critérios como a aprovação pelo conselho gestor e a construção participativa do diagnóstico. Esse processo garantiu que as decisões fossem tomadas junto às comunidades desde o início”, afirma Deborah Pires, analista socioambiental do IEB.

O projeto também prevê a formação de lideranças comunitárias para atuar na cadeia da restauração, com ênfase na inclusão de mulheres e jovens — fortalecendo capacidades locais para que a iniciativa tenha continuidade.

Estruturando uma cadeia da restauração

Outro avanço é a organização da cadeia produtiva associada à recuperação ambiental. Está prevista a estruturação de uma rede de coleta e comercialização de sementes nativas da Amazônia, conectando a produção local às demandas do próprio projeto e de outras iniciativas.

Além disso, algumas famílias já poderão participar do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) exclusivo para povos e comunidades tradicionais, no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Com portarias publicadas em dezembro do ano passado, o programa amplia as oportunidades de inclusão produtiva e geração de renda no território.

Essas estratégias ampliam o alcance da restauração e criam novas fontes de renda, reforçando o vínculo entre conservação e desenvolvimento local.

“O plano de restauração do projeto está alinhado às diretrizes mais recentes do ICMBio, que priorizam a integração entre conservação ambiental, participação social e uso sustentável. As ações respeitam o território e envolvem as comunidades locais tanto no planejamento quanto na execução. A iniciativa vai além da recuperação ambiental: busca fortalecer os modos de vida das famílias tradicionais, incentivar práticas sustentáveis e gerar renda”, afirma Marcela Aranha da Silva, chefe da Resex Verde para Sempre.

Representantes de Associações da Resex Verde para Sempre assinaram o termo de adesão ao projeto. Na imagem, Daniela Cruz, Associação Comunitária Agroextrativista do Rio Curuminim, representando a comunidade parceira Espírito Santo

O projeto integra a iniciativa Floresta Viva, voltada à ampliação da restauração ecológica em biomas brasileiros. A proposta combina benefícios ambientais — como conservação da biodiversidade e recuperação de serviços ecossistêmicos — com impactos sociais e econômicos.

Na Resex Verde para Sempre, essa abordagem passa a envolver diretamente mais de 300 famílias, articulando restauração, inclusão produtiva e fortalecimento das organizações comunitárias, em um território marcado pela forte relação entre população e floresta.

Próximos passos

Com o plano aprovado, o projeto avança para a fase de implementação em campo. A expectativa é que a restauração se consolide como uma estratégia integrada de conservação e geração de renda, construída a partir das realidades e dos saberes das comunidades locais.

Sobre o projeto

O “Sempre Vivas, Sempre Verdes” é uma realização do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com parceria local do Ideflor-Bio, ICMBio, CDS, Aspar, Emanuela e Coomar. A iniciativa integra o Floresta Viva, com recursos do BNDES, Energisa, Fundo Vale, Norte Energia e do banco alemão KfW. O FUNBIO é o gestor operacional e responsável pela condução do edital.

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