Oficina em Portel fortalece associações e dá início ao planejamento estratégico nos assentamentos Joana Peres II e Dorothy Stang

Oficina reuniu lideranças dos PEAEx Joana Peres II e Dorothy Stang e marca nova etapa do fortalecimento organizacional e da governança territorial nos assentamentos

Cerca de 20 representantes das associações dos Projetos de Assentamento Estadual Agroextrativista (PEAEX) Joana Peres II e Dorothy Stang se reuniram no dia 9 de junho, em Portel (PA), para uma oficina focada no fortalecimento organizacional e institucional das entidades que atuam na defesa e representação desses territórios. O encontro dá continuidade ao processo de consolidação dos assentamentos.

A atividade faz parte de uma série de ações de assessoria técnica desenvolvidas pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio da Rainforest Trust (RFT), no âmbito do projeto Florestas de Vida. O objetivo é reforçar a gestão ambiental e territorial das comunidades. Nos próximos meses, o trabalho também vai apoiar a elaboração de acordos de gestão comunitária e protocolos que integrarão os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) dos assentamentos.

Os PEAEX Joana Peres II e Dorothy Stang foram criados pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa) em 2022, após um processo de diagnóstico socioambiental que reconheceu a vocação agroextrativista da região e os modos de vida das comunidades que dependem da floresta, dos rios e da agricultura familiar para sua reprodução social e econômica.

Um marco importante para a consolidação desses territórios aconteceu em janeiro de 2025, quando o Iterpa formalizou o pedido de inclusão dos projetos no PNRA junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A medida, já concedida, foi fundamental para que as famílias pudessem acessar políticas públicas da reforma agrária, como créditos, assistência técnica, programas de apoio à produção e políticas de infraestrutura.

Nesse processo, o projeto Florestas de Vida contribuiu com ações de fortalecimento organizacional, regularização documental, mobilização comunitária e articulação institucional junto a órgãos públicos e organizações locais, preparando o terreno para que as comunidades pudessem dar esse salto qualitativo em sua organização.

“O fortalecimento das associações é um passo fundamental para que as comunidades possam conduzir seus próprios processos de gestão territorial. Neste primeiro momento, buscamos compreender como essas organizações estão estruturadas, identificar seus desafios e construir, junto com as lideranças, caminhos para o planejamento estratégico e para a consolidação dos acordos comunitários que irão compor os PGTAs dos territórios”, explica Marcos Silva, analista socioambiental do IEB.

Os acordos de gestão comunitária são instrumentos criados coletivamente para orientar o uso dos recursos naturais, a organização social e a convivência nos territórios. Eles servirão de base para os PGTAs, ampliando a autonomia das comunidades na definição de prioridades e estratégias para o futuro.

Durante a oficina, as lideranças participaram de exercícios voltados à compreensão do associativismo e ao fortalecimento da gestão das organizações. Entre as atividades desenvolvidas estiveram a construção da matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), que permitiu identificar desafios e potencialidades das associações, e a elaboração de diagramas de Venn para mapear atores, instituições parceiras e relações estratégicas presentes nos territórios. Os resultados desse diagnóstico participativo servirão de base para a construção dos planejamentos estratégicos e dos planos de ação das duas organizações.

A atividade também envolveu a elaboração de um calendário das atividades produtivas com o objetivo de compreender a dinâmica do território ao longo do ano. A construção dessa ferramenta permitiu identificar os períodos de disponibilidade dos principais produtos e destacou a participação das mulheres na organização das atividades econômicas locais, além de contribuir para o planejamento de estratégias de acesso a mercados.

Para Ronaldo Marinho, presidente da Associação Comunitária do Projeto de Assentamento Estadual Joana Peres II (AMAGJOPP), a iniciativa amplia conhecimentos e fortalece a atuação das entidades. “A formação é muito importante para nós porque fortalece o conhecimento e incentiva o acesso às políticas públicas. Já aprendemos muita coisa hoje, mas ainda precisamos aprimorar aspectos da organização institucional, como fluxo de caixa e divisão de tarefas dentro da associação. Isso vai somar muito e, daqui a algum tempo, vamos conseguir perceber a evolução dos territórios na organização social”, afirmou.

A presidente da Associação Comunitária dos Trabalhadores Rurais Agroextrativistas do Médio Rio Anapu, no PEAEX Dorothy Stang, Andreza Miranda de Carvalho, também destacou a relevância dos exercícios realizados na oficina para o planejamento das ações da entidade. “Foi um exercício muito bom. Ajudou a abrir nossa mente para questões de desenvolvimento dentro da associação e do território. Também trabalhamos a organização da produção, o que nos ajudou a mapear o que produzimos ao longo do ano e das safras. Isso é importante para entendermos melhor nossa capacidade produtiva e organizar a produção da associação”, ressaltou.

A iniciativa busca fortalecer a capacidade de gestão das organizações comunitárias, ampliar o acesso a políticas públicas e garantir que os próprios moradores liderem o planejamento e a tomada de decisão sobre o futuro dos territórios. As próximas etapas incluem o aprofundamento do planejamento estratégico das associações e a construção participativa dos instrumentos de gestão territorial e ambiental.

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