Manejo florestal comunitário e familiar em foco: IEB e IFPA renovam parceria para fortalecer processos de formação na área

Instituições formalizaram primeiro acordo de cooperação técnica em 2009. A nova parceria busca atender a demanda que será gerada a partir da retomada do Programa de Manejo Florestal Comunitário e Familiar (PMFC)

Moradora da Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre, situada em Porto de Moz (PA), Rosalina Magalhães aprendeu com o pai como se maneja a floresta. O trato da madeira, a extração de óleos, quais plantas utilizar como remédio e como garantir alimentos eram alguns dos conhecimentos passados de geração em geração.

A experiência vivenciada por Rosalina sintetiza a dinâmica do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (MFCF): o uso múltiplo da floresta, que permite que as famílias encontrem sustento, ao passo em que garantem a preservação do bioma.

A agroextrativista foi uma das participantes do Formar Florestal e Formar Gestão, cursos realizados pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA). Rosalina conta como a formação trouxe conhecimentos complementares que ajudaram a impulsionar atividades no território.

“Com o curso a gente aprendeu como separar e organizar os documentos, o que permitiu que a gente criasse uma cooperativa [em 2014] e que conseguisse financiamento junto ao Banco da Amazônia (Basa). Nós conseguimos levantar a cooperativa e deixar ela em um patamar bem conhecido”, afirma, se referindo à Cooperativa Mista Agroextrativista Nossa Senhora Perpétuo Socorro Rio Arimum (Coomnspra), uma das pioneiras no custeio de atividades relacionadas ao MFCF por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Atividades de MFCF realizadas pela Coomnspra, na Resex Verde para Sempre, em Porto de Moz, no Pará

De Santarém (PA), Edilson Figueira também participou do Formar Florestal em 2014. Ele conta como a formação possibilitou intercâmbios que fortaleceram experiências comunitárias em frentes diversas. “Uma das principais melhorias impulsionadas a partir do curso, tanto no nível pessoal, quanto no nível comunitário, foi o empoderamento. A gente pôde conhecer essa realidade do manejo florestal comunitário e familiar, como é que se organiza, né, não só falando do produto madeireiro, mas também do produto extrativista, além da organização das mulheres e da juventude e da potencialidade das cadeias produtivas de uso sustentável dentro da sociobioeconomia”, destaca Edilson, atual vice-presidente do Sindicato Dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR-Santarém).

De Portel, no Marajó (PA), Nilson Silva destaca os conhecimentos adquiridos nos campos do associativismo e cooperativismo, durante o Formar Gestão de Empreendimentos. “Nós conseguimos entender um pouco mais a questão da realidade, a partir do associativismo, e lutar mais diretamente pela organização fundiária e dos territórios de Portel”, avalia.

À experiência dos três agroextrativistas, se junta a trajetória de outros 100 cursistas que participaram de formações impulsionadas pelo IEB e pelo IFPA. A parceria entre as instituições começou no final dos anos 90, quando o IEB se articulou com outras organizações, como o Imazon, para realizar módulos sobre manejo florestal ainda no curso de técnico em agropecuária.

Em 2009, IEB e IFPA campus Castanhal firmam o primeiro termo de cooperação técnica, com o objetivo de coordenar a disciplina de MFCF no curso de técnico em florestas.  “Isso permitiu com que a gente ampliasse a nossa forma de cooperação para atender a uma demanda cada vez mais crescente no mercado, a assistência técnica. Então a gente levou para os estudantes os principais gargalos que são estabelecidos para o fortalecimento e a expansão dessa modalidade de manejo e proporcionou intercâmbios junto às organizações comunitárias que estavam implementando o MFCF”, relembra Manuel Amaral, coordenador executivo do IEB.

No dia 28 de agosto, IFPA campus Castanhal e IEB renovaram cooperação técnica para impulsionar processos formativos em MFCF

Professora do IFPA campus Castanhal, desde 2006 Roberta Coelho acompanha a parceria entre as instituições. Ela conta que, no processo de modelagem dos cursos, as instituições priorizam planos de formação contextualizados às realidades dos cursistas.

Eu percebo que muitos estudantes que foram apoiados de alguma forma por esses processos se sobressaíram em relação a empregos. Hoje muitos deles estão empregados em diferentes territórios, alguns na área de manejo florestal, na área de inventário, e outros também trabalham em áreas de manejo de florestal comunitária familiar”, conta Roberta.

PerspectivasMovimentos recentes do Governo Federal apontam para a retomada do Programa Federal de Apoio ao Manejo Florestal Comunitário e Familiar (PMFC).

A estruturação do Programa deve impulsionar questões ligadas à governança territorial, formação de mão de obra qualificada, atração de investimentos e promoção de ações de pesquisa e desenvolvimento na cadeia de produtos e serviços florestais.

É fundamental que continuemos atuando em parceria com as lideranças locais para que as comunidades, associações e cooperativas dos territórios possam estar cada vez mais preparadas para lidar com o mercado, para que estas relações sejam justas, valorizando os meios locais de vida”, afirma Manuel Amaral, do IEB.

 

 

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