Formação é parte da agenda do projeto Enraizando Amapá e será levada a outros três assentamentos do estado em julho e agosto
Nos dias 28 e 29 de junho de 2025, o assentamento Pancada do Camaipi, em Macapá (AP), recebeu a primeira edição do curso de manejo de açaí com ênfase em certificação florestal. A atividade foi promovida pela cooperativa Amazonbai, como parte do projeto Enraizando Amapá, executada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e organizações parceiras com financiamento do BNDES Fundo Socioambiental .
A formação, voltada a produtores extrativistas da cadeia do açaí, abordou temas como licenciamento ambiental, boas práticas de colheita, uso de equipamentos de proteção, fenologia do açaizeiro, enriquecimento de áreas manejadas e as diversas possibilidades de uso da espécie Euterpe oleracea. O curso também destacou os benefícios da certificação florestal e os passos necessários para o manejo de mínimo impacto, reforçando a importância da conservação da biodiversidade e da valorização dos territórios comunitários.

Além dos conteúdos técnicos, a troca de saberes entre cooperados e produtores locais foi um dos pontos altos da atividade. Para Amiraldo Picanço, engenheiro florestal e referência da Amazonbai, a vivência compartilhada entre pares tem um papel transformador:
“Essa troca de experiência é importante para a gente fortalecer o movimento que vem sendo construído dentro das comunidades. A gente fica muito feliz e grato pela oportunidade de dividir esse trabalho que temos feito.”
Amiraldo também destacou a importância da conscientização dos produtores, do fortalecimento das políticas públicas para o setor florestal no Amapá e da parceria com o IEB.
“A parceria com o IEB veio transformar a Amazonbai, especialmente por trazer à tona o protagonismo feminino. Precisamos discutir a liderança das mulheres, principalmente na Amazônia, onde ainda enfrentamos desigualdades e discriminações.”
Entre os participantes do curso, Maria José de Sousa, moradora do assentamento Pancada do Camaipi, enfatizou como os novos aprendizados complementam sua experiência prévia.
“Achei muito importante, porque a gente aprende mais sobre como manejar nosso açaizal e ter mais produção. Com o conhecimento que já tínhamos da BioAçaí, agora conseguimos ir além. Para mim, foi ótimo.”
O curso também é uma oportunidade para ampliar a consciência sobre a valorização da produção local, inclusive no que se refere à comercialização justa:
Próximas etapas
A agenda formativa do curso seguirá nos próximos meses em outros três assentamentos federais do Amapá:
- 15 e 16 de julho – Assentamento Munguba (Porto Grande/AP)
- 25 e 26 de julho – Assentamento Manoel Jacinto (Porto Grande/AP)
- 1º e 2 de agosto – Assentamento Matão do Piaçaca (Santana/AP)
Essas atividades compõem a trilha pedagógica do Formar Raízes, eixo de formação do projeto Enraizando Amapá, que articula saberes técnicos e sociais para fortalecer a agroextrativismo, a gestão territorial e o protagonismo comunitário nos assentamentos da Reforma Agrária.



