Comitê de Governança do Projeto Enraizando Amapá destaca força da cooperação entre instituições

Macapá (AP) –  “O sucesso de um projeto não é um percurso solitário, ele é um percurso colaborativo. No Enraizando Amapá isso se expressa de forma ainda mais significativa”, afirmou Daltro Paiva, analista do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), ao abrir a reunião do Comitê de Governança realizada em Macapá nos dias 27 e 28 de agosto. Para ele, a diversidade de parceiros e de saberes é o que garante que o projeto alcance resultados concretos.

Parceiros reunidos. Na imagem representantes da FEALQ/USP, UEAP , Instituto Terroá e IEB. (Foto: Roberta Brandão/IEB)

Este foi o primeiro  encontro do Comitê de Governança de 2025. O espaço é responsável por discutir estratégias, avaliar resultados e planejar as próximas etapas. Esta reunião também cumpriu o papel de avaliação, com foco tanto no andamento da execução do primeiro período de implementação, quanto na prospecção das ações prioritárias que deverão compor a segunda etapa do projeto, que conta com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Manuel Amaral, coordenação geral IEB, dialoga com os parceiros do projeto Enraizando Amapá. (Foto: Roberta Brandão/ IEB)

Para Manuel Amaral, coordenador geral do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), o grande desafio está em fortalecer as associações comunitárias para que possam acessar políticas públicas e mercados institucionais.“Acho que estamos diante de um aspecto bastante desafiador: articular o Estado e, ao mesmo tempo, apoiar as associações locais para que tenham boa gestão e consigam acessar políticas públicas. Esse é um passo fundamental para transformar a inclusão socioprodutiva em realidade nos assentamentos”, afirmou durante a realização do evento.

Participaram do encontro o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto Terroá, Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e Amazonbai. Para Sérgio Paganini, diretor de projetos do grupo de Políticas Públicas da FEALQ/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP), o caráter integrado da iniciativa é um diferencial:“A nossa participação é basicamente compreender a aptidão produtiva dos assentamentos, apoiar a articulação com o mercado consumidor e contribuir para enfrentar o desafio da segurança alimentar. Estudos anteriores já apontavam áreas em Macapá classificadas como desertos alimentares, com oferta limitada de alimentos saudáveis. O Enraizando Amapá busca construir conexões entre os assentamentos que produzem alimentos e a população urbana que precisa desse acesso”, destacou.

Na mesma linha, Maria Luiza de Andrade Bellini, gestora do Instituto Terroá, destacou que o caráter coletivo do “Enraizando Amapá” é o que potencializa sua atuação. Para ela, “cada parceiro chega com suas potencialidades e, juntos, conseguimos enfrentar os desafios dos assentamentos de forma integral, articulando produção agrícola, fortalecimento organizacional e diálogo com órgãos governamentais”.

Representando a Amazonbai, o presidente Amiraldo Picanço destacou a contribuição da organização para o manejo florestal e a certificação do açaí, trabalho realizado diretamente junto às comunidades. “Essa rede de parceiros é fundamental para o sucesso do projeto. Ver o Enraizando sendo executado em diferentes territórios, como assentamentos e reservas extrativistas, nos enche de orgulho e reforça a importância do trabalho coletivo”, finalizou.

Novos passos 

A elaboração do plano de trabalho para o próximo período, a ativação de um GT de comunicação e o reforço da articulação interinstitucional com os órgãos governamentais de forma colaborativa entre todos os parceiros,  estiveram entre os encaminhamentos deliberados pelo comitê. A reunião em Macapá consolidou a percepção de que a diversidade de saberes e práticas é a base da governança do Enraizando Amapá. Unindo instituições de pesquisa, organizações não-governamentais e cooperativas locais, o Comitê de Governança segue como espaço de planejamento estratégico, avaliação conjunta e fortalecimento da cooperação.

Para Kelly Gomes, pró-reitora de extensão da UEAP, o Enraizando tem justamente esse papel: “enraizar pela diversidade, pela inclusão e pela equidade com os povos e populações amazônicas”. 

Estratégia nacional de segurança alimentar ganha força no Amapá

Reunião na SEMAS com Sérgio Paganini e gestores do município de Macapá.

No contexto da agenda do Comitê de Governança, em Macapá, Sérgio Paganini, se reuniu com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) e outros órgãos municipais ligados ao tema da segurança alimentar e nutricional. O encontro teve como objetivo apresentar os estudos sobre os chamados “desertos alimentares” e debater como articular a produção dos assentamentos apoiados pelo Enraizando Amapá às políticas de abastecimento urbano, em diálogo com a estratégia Alimenta Cidades, da qual o município de Macapá é parte integrante.

Segundo Paganini, a metodologia aplicada pela FEALQ tem fornecido dados estratégicos para orientar gestores públicos sobre a realidade alimentar dos municípios. “O estudo mostra que a população tem pouca oferta de alimentos saudáveis ou muita oferta de produtos ultraprocessados. Essa leitura é fundamental para conectar a produção da agricultura familiar às estratégias de abastecimento, garantindo alimentos mais acessíveis e nutritivos para quem mais precisa”, explicou.

A subsecretária de gestão e planejamento da Semas, Anne Caroline, destacou a relevância da parceria para fortalecer políticas públicas locais. “Avalio a reunião como muito produtiva. É muito importante a vinda de vocês ao nosso município para conhecer nossa realidade e nos auxiliar na construção de políticas públicas efetivas. Esse olhar técnico nos ajuda a direcionar o projeto para atender a população que mais precisa, especialmente aquelas em situação de insegurança alimentar”, afirmou.

Como encaminhamento, foram iniciadas conversas com a Secretaria Municipal de Agricultura de Macapá (SEMAG) sobre ações como o fortalecimento do cinturão verde, as feiras verdes que levam produtores diretamente aos condomínios da capital, e a feira da agricultura familiar e das artes, realizada mensalmente para aproximar a produção local dos consumidores urbanos.

Foi produzido um vídeo que reúne as falas dos parceiros do projeto, registrando suas avaliações e contribuições sobre os avanços e desafios em curso. O material destaca diferentes perspectivas institucionais e evidencia a importância da cooperação para o fortalecimento das ações desenvolvidas. Clique e assista:

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