A Usina da Paz Cabanagem, localizada na capital paraense, foi palco da 1ª Conferência Municipal de Meio Ambiente (1ª CMMA), no último dia 25 de janeiro. O evento reuniu cerca de 150 participantes, majoritariamente representantes de organizações da sociedade civil e cooperativas de catadores, além de membros do poder público municipal. Com o tema “Emergência Climática: o desafio da transformação ecológica”, a conferência representou a etapa preparatória para as Conferências Estadual e Nacional de Meio Ambiente.
O encontro teve como objetivo central a construção de soluções locais para mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas, além de promover a justiça climática e fortalecer a governança ambiental. Ao final das discussões, foram elaboradas dez propostas relacionadas aos eixos: Mitigação, Adaptação e Preparação para Desastres, Justiça Climática, Transformação Ecológica, Governança e Educação Ambiental. As proposições consideraram as realidades específicas de Belém e os desafios enfrentados por sua população, tanto nas áreas urbanas quanto nas comunidades insulares.
O papel do IEB na Conferência

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) desempenhou um papel de destaque na organização e condução da 1ª CMMA. Como membro da Comissão Organizadora Municipal (COM), o IEB participou ativamente da construção do regimento, da plenária de priorização de propostas e da eleição da delegação que representará Belém na Conferência Estadual de Meio Ambiente (CEMA).
Além disso, o instituto promoveu o diálogo entre organizações da sociedade civil, incluindo movimentos urbanos, povos indígenas, comunidades quilombolas e de terreiro, e cooperativas de catadores. Esse esforço se concretizou por meio de reuniões virtuais e diálogos bilaterais, que garantiram uma base sólida para os debates da conferência.
“A atuação do IEB foi orientada pelo compromisso de assegurar que as discussões sobre emergência climática fossem lideradas por aqueles que vivem diretamente os impactos das mudanças climáticas. Trabalhadores urbanos, povos de terreiro, catadores de materiais recicláveis, populações quilombolas e indígenas tiveram protagonismo nas propostas construídas”, afirmou o coordenador de Projetos do IEB, Daltro Paiva.
A parceria e articulação do IEB com o Conselho Warao Ojiduna (CWO) e o Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e Desenvolvimento Social, possibilitou a eleição de representantes, do povo indígena Warao e dos povos de terreiro, como delegados de Belém na CEMA. “Essa articulação reforça a inclusão de vozes diversas e historicamente marginalizadas no debate ambiental”, afirmou Vitor Gonçalves, analista socioambiental do IEB, que também participou da Conferência.
Para Freddy Cardona, integrante do CWO, e agora delegado de Belém na CEMA, esse é mais um espaço para a luta por melhorias para o seu povo, os indígenas em situação de refúgio no Brasil, “Para mim, como indigena, foi um prazer atuar como liderança, como organização, como representante do Conselho. Pois essa participação fortalece nossa organização. Agora sou delegado e seguirei lutando pela minha população, não pararei”, finalizou Freddy.
Próximos passos rumo à CEMA
A Conferência Estadual de Meio Ambiente (CEMA), marcada para os dias 12 e 13 de março, será o próximo marco desse processo. O IEB continuará a apoiar tecnicamente a delegação eleita, promovendo momentos de formação, organização e reflexão estratégica. A expectativa é que as propostas construídas em Belém contribuam de forma significativa para a agenda estadual, reafirmando o compromisso com soluções inclusivas e eficazes diante da emergência climática.
“A 1ª CMMA de Belém evidenciou a importância de diálogos amplos e representativos para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, trazendo à tona a necessidade de uma transformação ecológica pautada na justiça social e ambiental”, finalizou Daltro Paiva.


