Nos dias 14 e 15 de março, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) promoveu uma importante reunião de alinhamento com lideranças dos assentamentos Pancada do Camaipi (Mazagão), Munguba e Manoel Jacinto (Porto Grande), e Matão do Piaçacá (Santana), no estado do Amapá. O encontro reuniu 20 lideranças comunitárias e teve como objetivo principal fortalecer os laços entre o IEB e os assentamentos envolvidos no projeto “Enraizando o Desenvolvimento Sustentável no Amapá”.
Essa reunião foi uma etapa dedicada exclusivamente à escuta, troca e pactuação com essas lideranças, localizadas em uma área nova de abrangência geográfica para a atuação do IEB. “Ainda que já tenha sido realizado ações nos territórios em parceria com o Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (INCRA),Instituto de Extensão, Assistência Técnica e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) e Sebrae. Esse foi um momento essencial para nos conhecermos mutuamente, compreender ainda mais as realidades locais e apresentar o projeto Enraizando. As lideranças se mostraram muito engajadas, comprometidas em fazer do projeto uma construção coletiva”, avaliou Daltro Paiva, analista socioambiental do IEB.
Durante a reunião, foi feita a devolutiva do diagnóstico Marco Zero — levantamento detalhado sobre os aspectos sociais, produtivos e ambientais dos assentamentos, realizado em 2024.. Os dados revelaram uma expressiva cobertura vegetal nos territórios, com índices que chegam a 95,55%, o que aponta grande potencial para o manejo florestal sustentável comunitário. Além disso, destacou-se a força da produção agroextrativista, especialmente do açaí e frutíferas, presentes em todos os assentamentos.
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi dedicado à troca de experiências entre as lideranças presentes. Cada participante compartilhou a origem de sua atuação, os motivos que o fazem participar da mobilização social, as iniciativas que vêm desenvolvendo e a principal conquista alcançada ao longo da caminhada. “Essa partilha permitiu uma compreensão mais ampla sobre as diferentes trajetórias e contribuições dos coletivos envolvidos”, destacou Daltro Paiva.
Outro destaque foi a apresentação dos primeiros resultados do mutirão de regularização fundiária, com as atualizações na Plataforma de Gestão Territorial do INCRA (PGT) e a emissão de CCUs (Contratos de Concessão de Uso), instrumentos que garantem às famílias assentadas o acesso a políticas públicas fundamentais, como crédito agrícola e moradia.
O que é o projeto Enraizando?
Coordenado pelo IEB e realizado no Amapá, em parceria com Amazonbai, Embrapa Amapá,Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), Instituto Terroá, R. Torsiano: consultoria agrária, ambiental e fundiária, Universidade do Estado do Amapá (UEAP), o projeto Enraizando o Desenvolvimento Sustentável no Amapá faz parte da iniciativa nacional “Raízes”, liderada pelo BNDES e INCRA, com execução em territórios da Reforma Agrária na Amazônia Legal. O projeto tem duração de três anos e um investimento total de quase R$ 12 milhões, e atua em quatro grandes frentes:, recuperação ambiental, infraestrutura social, bioeconomia e regularização fundiária.
Entre as ações previstas estão o manejo florestal comunitário, o fortalecimento das cadeias produtivas do açaí e frutíferas, a qualificação da educação no campo e o fortalecimento das organizações locais, com vistas à geração de renda e valorização dos modos de vida das comunidades; assim como estudos diagnósticos da situação de regularização fundiária nos assentamentos.
A atuação do IEB no Amapá
Desde 2014, o IEB vem promovendo ações de fortalecimento comunitário e sustentabilidade no Amapá. Ao longo de mais de uma década, foram 13 projetos implementados, R$ 8 milhões investidos e mais de 2.500 famílias beneficiadas. O trabalho do IEB tem contribuído para a formação de lideranças, valorização da agricultura familiar, inclusão de mulheres e jovens, e o desenvolvimento de modelos produtivos sustentáveis. O projeto Enraizando representa uma nova fase dessa trajetória, expandindo a atuação do instituto para novas regiões e comunidades do estado.
. Confira nossa linha do tempo:
- 2014 | Projeto Amapá Sustentável | Fundo Vale
- 2014 | Governança Socioambiental no Amapá e Pará | Fundo Vale
- 2015 Fortalecimento institucional das EFAs e RAEFAP como estratégia para o desenvolvimento rural no Estado do Amapá | Porticus
- 2016 | Articulação de Atores e Redes para o Fortalecimento de Cadeias de Valor Sustentáveis no Pará e Amapá |Fundo Vale
- 2017 | Fortalecimento da Educação do Campo na Amapá (Porticus)
- 2018 | Educação e Sustentabilidade: fortalecendo as estratégias de reprodução da agricultura familiar e dos extrativistas em territórios do entorno de EFAs no Amapá | Porticus
- 2020 | Mulheres Negras e Quilombolas | União Europeia
- 2020 | Apoio às economias de base ok comunitária no território Macacoari | Porticus
- 2021 | Economias Comunitárias Inclusivas – Açaí (Fundo JBS)
- 2021 – Garantia de Direitos de Mulheres e meninas – caminho para a sustentabilidade – Porticus
- 2022 – Articulação em Rede de Coletivos de Mulheres Agroextrativistas do Amapá – Porticus
- 2023 – Semeando a sustentabilidade ( PPA/Sitawi)
- 2024-2027 | Enraizando o Desenvolvimento Sustentável no Amapá”
Próximos passos
Após esse encontro de escuta e alinhamento, o próximo passo, definido conjuntamente, será a realização de uma oficina de planejamento das atividades do projeto para o ano de 2025, prevista para ser realizada em abril. O encontro reunirá o IEB, lideranças dos assentamentos e parceiros institucionais — Amazonbai, Instituto Terroá, UEAP – e os órgãos INCRA e RURAP, com o objetivo de definir conjuntamente as ações prioritárias para os territórios, garantindo que o projeto avance de forma participativa e alinhada com os anseios das comunidades.


