Plano de Gestão Territorial e Ambiental da TI Kamicuã: Reunião de Incidência Política com FUNAI e MPI

Reunião entre lideranças da TI Kamicuã, equipe do IEB e representantes da FUNAI e MPI. Foto: Acervo IEB

Aconteceu! Incidência do PGTA Kamicuã.

No dia 25 de maio, lideranças da Terra Indígena (TI) Kamicuã apresentaram seu Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) para diversas coordenações da FUNAI e Emerson Almeida, representante da Secretaria Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). A iniciativa visa fortalecer a incidência política e garantir que o instrumento oriente as ações do Estado no território.

A ideia de realizar essa incidência partiu do cacique geral da TI Kamicuã, Umanary Apurinã. Liderança histórica, Umanary lutou desde a juventude pela demarcação do território, um processo longo e marcado por conflitos que durou décadas até a homologação em 1991, conforme detalhado na linha do tempo do próprio PGTA. Para ele, o plano representa um novo estágio dessa luta:

“O nosso PGTA Kamicuã é muito mais que um documento; ele é o registro vivo de como combinamos o futuro do nosso povo e o cuidado com a nossa terra. Ele é a ferramenta mais forte que temos hoje para conversar de igual para igual com o governo e com nossos parceiros, mostrando de forma clara o caminho para o nosso ‘bem viver’ e as nossas verdadeiras prioridades”.

A reunião foi organizada por Luana Almeida, da Coordenação de Gestão Integrada a Instrumentos de Gestão (Cogin/CGPAM), com objetivo de reunir servidores de diferentes setores da Fundação para que pudessem conhecer sobre o PGTA, seu processo de construção e desafios para implementação:

“Me pareceu uma oportunidade para reunir servidores de diferentes áreas técnicas para conhecer a experiência dos Apurinã na TI Kamicuã e escutar os relatos sobre como construíram essa instrumentos e como se organizam para cuidar de seu território, considerando que a implementação dos PGTAs é uma atividade transversal, que demanda apoio de diferentes setores dentro da Funai”.

Marinês Apurina e Hyllen Apurina, representantes da TI Kamikuã. Foto: Acervo IEB

As propostas apresentadas pelos Apurinã foram sobretudo nos temas da vigilância indígena, produção indígena, gestão do território, impactos da rodovia BR-317 e o manejo de Sistemas Agroflorestais (SAFs) — que hoje já somam cerca de 130 hectares manejados na aldeia Kamicuã. Marinês Apurinã, cacique da aldeia Ywinawa, também esteve presente e enfatizou a necessidade de autonomia. Para ela, o plano é o guia para que o apoio externo respeite as decisões internas:

“A urgência agora é tirar esse plano do papel e colocá-lo na prática, para que nenhuma política pública entre no nosso território sem respeitar a nossa ciência, a nossa cultura e a nossa autonomia”.

Representando os Agentes Ambientais Indígenas (AAIs) — atores centrais que realizaram os diagnósticos, etnomapeamentos e vigilâncias territoriais que compõem o documento —, Hyllen Apurinã defendeu a valorização desses profissionais. Em sua fala, destacou que a proteção da floresta exige continuidade e suporte oficial:

“Não queremos mais ações pontuais ou decididas de longe; precisamos que o Estado reconheça e valorize nossos Agentes Ambientais Indígenas (AAIs), garantindo sua contratação e remuneração para que a proteção da nossa floresta seja um trabalho constante”

Texto: Marina Villarinho

Para acessar o PGTA completo, clique aqui.

Plano de Gestão Territorial da TI Kamicuã

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