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BR-319: caminhos entre a rodovia, a floresta e seus povos rumo à justiça socioambiental

No sul do Amazonas, os rios Madeira e Purus seguem cursos quase paralelos por centenas de quilômetros. Entre ambos se estende o interflúvio Purus-Madeira, um vasto território que concentra alta diversidade biológica e abriga uma complexa rede de relações sociais, culturais e ambientais.

Antes de 1700, a região era ocupada por numerosos povos indígenas. A partir do século XVII, no entanto, a violência da colonização provocou a dizimação da maior parte dessas populações. Durante longos períodos, a presença humana permaneceu esparsa, permitindo que a floresta se mantivesse contínua e que seus ecossistemas se desenvolvessem com elevado grau de integridade.

Essa dinâmica começou a mudar nos anos 1980, quando a BR-319 foi construída como eixo de ligação entre Porto Velho (RO) e Manaus (AM). A rodovia que corta a Amazônia foi pensada para conectar essas duas capitais, mas atravessa uma longa extensão de áreas protegidas, no coração da floresta amazônica.

Em poucos anos, a falta de manutenção da estrada fez com que ela ficasse intransitável por veículos leves durante a maior parte do ano, e desde então muitas iniciativas de recuperação foram propostas, sem que a rodovia tenha sido efetivamente pavimentada.

Tempo suficiente para a BR-319 carregar mais do que quilômetros de terra, asfalto e promessas: ela concentra as tensões entre desenvolvimento e conservação, entre pressa e permanência, entre progresso e prudência.

Pavimentá-la é, para alguns, uma urgência econômica e social. Para outros, um risco ambiental que o Brasil não pode correr. Entre esses extremos, há um espaço essencial – o espaço do diálogo, da responsabilidade ambiental, da escuta, da inclusão e da participação social. Sobretudo pelas preocupações envolvidas sobre o impacto na região.

Foi exatamente aí que o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) escolheu atuar.

O interflúvio Purus-Madeira abriga uma expressiva variedade de fauna e flora, apresenta solos de alta vulnerabilidade e está submetido a um regime de chuvas intenso e irregular, condições que impõem limites claros a intervenções de grande porte. Soma-se a isso o fato de o território ser habitado por povos indígenas e tradicionais, cujas formas de vida estão profundamente vinculadas à floresta e aos rios, em dimensões materiais, culturais e espirituais.

Um trabalho de presença e escuta

O IEB atua no interflúvio Purus-Madeira há mais de duas décadas, trabalhando com os povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações locais que vivem e protegem esse corredor ecológico e cultural único.

Seu papel é o de fortalecer a governança territorial, defender direitos e construir pontes entre o conhecimento tradicional e o técnico, para que o desenvolvimento possa existir com o que a floresta ensina.

A partir de programas como o Povos Indígenas (PPI) e o Ordenamento e Governança Territorial (ORDAM), o IEB vem apoiando a elaboração e a implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), a construção de Protocolos de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) e a formação de lideranças locais, mulheres e jovens – protagonistas de um modelo de desenvolvimento amazônico que valoriza seus saberes e reconhece a sua contribuição e o relevante serviço de conservação da floresta.

A missão do IEB é fortalecer os povos indígenas e tradicionais e o seu protagonismo na construção de uma sociedade justa e sustentável, recuperando, valorizando e aprofundando elementos dados por eles próprios em suas lutas sociais e formas de gestão.

“Nosso trabalho é garantir a reflexão e o diálogo justo com quem vive no território.” – IEB

Uma página especial sobre a atuação do IEB no interflúvio Purus-Madeira e na região impactada pela BR-319

Esta página especial foi criada para reunir, organizar e compartilhar a história, os dados e as vozes que compõem o debate sobre a região impactada pela BR-319, além de explicar e resumir o trabalho na Amazônia feito pelo IEB, que desde 1998 investe nas pessoas e no apoio ao fortalecimento de instituições organizadas, estabelecendo relações entre a conservação dos recursos naturais e as dimensões econômicas, sociais e culturais da sustentabilidade.

Aqui, é possível encontrar informação técnica, registro documental e sensibilidade humana — as múltiplas camadas de uma estrada que corta a floresta, mas também o imaginário e as políticas da Amazônia.

O que esta página traz

Linha do tempo interativa (2014–2025) – mostrando o avanço do debate e a atuação do IEB e parceiros ao longo dos anos;
Protocolos de Consulta – o processo de construção, os povos envolvidos e seus instrumentos de autonomia e decisão;
Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) – experiências concretas de planejamento indígena e comunitário;
Histórias e vozes da floresta – depoimentos, vídeos e imagens que revelam a vida no corredor da BR-319;
Recursos visuais – elementos que ajudam a compreender os impactos, as ações e as alternativas de governança.

Um convite ao diálogo

Mais do que uma página informativa, este é um ambiente de escuta e reflexão. Um espaço onde a sociedade civil, as comunidades e o poder público podem compreender que a BR-319 é mais do que uma obra de engenharia. O IEB convida você a percorrer este caminho conosco – entre a rodovia e a floresta, entre o presente e o futuro – e a descobrir como a Amazônia pode mostrar ao Brasil uma nova forma de fazer desenvolvimento: com justiça, com diálogo e com a floresta em pé.

 

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ATUAÇÃO DO IEB NO INTERFLÚVIO PURUS-MADEIRA E REGIÃO IMPACTADA PELA BR-319

Breve histórico da atuação do IEB

O IEB atua no Sul do Amazonas há mais de duas décadas, consolidando uma presença contínua nos municípios de Lábrea, Pauini, Boca do Acre, Tapauá, Humaitá e Manicoré.

Há uma história incorporada nestes territórios, e os processos empreendidos pelo IEB existem a partir de acordos, alinhamentos, combinações e, principalmente, demandas das próprias populações locais. O IEB recupera, valoriza e aprofunda elementos trazidos pelos próprios povos indígenas e tradicionais. Essa é a marca metodológica do nosso trabalho.

A região foi priorizada pelo IEB por ser estratégica e marcada por grandes pressões territoriais e por uma rica diversidade sociocultural.

Desde os anos 2000, o IEB tem trabalhado em parceria com povos indígenas e tradicionais, associações locais e órgãos públicos, buscando fortalecer a governança territorial, direitos e sustentabilidade. As ações se articulam em nome do fortalecimento comunitário, da educação socioambiental e da incidência política.

Principais eixos temáticos de atuação

1. Governança e ordenamento territorial
  • Apoio a processos de planejamento territorial participativo e gestão integrada dos territórios.
  • Incentivo à criação e implementação de instrumentos de gestão territorial e regularização fundiária.
  • Fomento à espaços públicos socioambientais para a governança de processos locais e regionais (conselhos, fóruns, comitês e redes).
2. Direitos e proteção dos povos indígenas e comunidades tradicionais
  • Fortalecimento da consulta livre, prévia e informada.
  • Apoio ao reconhecimento e à regularização territorial e ambiental de territórios indígenas e comunitários.
  • Fortalecimento da proteção territorial em áreas sob ameaça.
3. Formação e fortalecimento institucional
  • Capacitação de lideranças e gestores comunitários em temas como governança territorial, gestão de projetos, legislação ambiental e comunicação.
  • Apoio à estruturação administrativa e técnica de organizações locais, ampliando sua autonomia e capacidade de diálogo com o Estado e parceiros.

Territórios, povos e populações parceiras

O IEB atua em parceria com diversos povos indígenas e tradicionais da região, incluindo:

  • Povos indígenas Apurinã, Mura, Tenharin, Parintintin, Jiahui, Tenharin do Igarapé Preto, entre outros;
  • Comunidades ribeirinhas e extrativistas de reservas como a RESEX Médio Purus e RESEX Ituxi;
  • Associações de mulheres, pescadores, agricultores familiares e organizações intercomunitárias.

Esses territórios estão localizados em áreas estratégicas próximas à BR-319, reconhecidas por sua importância ecológica e cultural.

Principais projetos e resultados

Formação e fortalecimento institucional

Realização de oficinas, intercâmbios e cursos de formação em gestão territorial, políticas públicas, planejamento e comunicação comunitária.
Apoio à regularização e estruturação de associações locais, ampliando sua capacidade de representação e gestão de recursos.
Fortalecimento de redes regionais de povos e comunidades, criando espaços de articulação política e defesa de direitos.

PGTAs e governança indígena

Apoio técnico e metodológico à elaboração, revisão e implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), elaborados pelos próprios povos indígenas, fortalecendo a autonomia na gestão de seus territórios.
Integração dos PGTAs com políticas públicas locais, instrumentos de planejamento municipal, estratégias de conservação e uso sustentável.
Criação de grupos de monitoramento indígena e comunitário, ampliando o controle social sobre políticas públicas.

Proteção e monitoramento

Apoio à implementação de planos de vigilância e proteção territorial em áreas sob ameaça de invasão e desmatamento.
Parcerias com associações locais, órgãos públicos e universidades para monitoramento participativo por meio de geotecnologias e dados locais.
Fomento ao uso sustentável da floresta como estratégia de defesa e valorização territorial.

Mulheres e juventudes

Criação de redes de mulheres indígenas e comunitárias, com foco em liderança, direitos e geração de renda.
Ações de monitoramento de mudanças climáticas e formação em políticas públicas da agenda climática, empreendedorismo e incidência política.
Apoio a coletivos de jovens comunicadores e agentes ambientais indígenas, fortalecendo a participação intergeracional nas decisões sobre o território.
Realização de encontros regionais de mulheres e juventudes amazônicas, promovendo o intercâmbio de experiências e saberes.

“Nosso trabalho é construir pontes – entre saberes, culturas e políticas – para que o desenvolvimento da Amazônia seja conduzido por quem vive nela e dela depende.”

Governança e direitos no Sul do Amazonas para um desenvolvimento com justiça socioambiental

No coração do Sul do Amazonas, o IEB atua há mais de duas décadas promovendo governança territorial, fortalecimento de direitos e sustentabilidade socioambiental. Em uma região marcada por grandes desafios de infraestrutura, o IEB tem trabalhado lado a lado com povos indígenas e tradicionais e instituições públicas para apoiar a construção de soluções locais para um desenvolvimento que respeite a floresta e as pessoas.

O Sul do Amazonas – que abrange municípios como Humaitá, Manicoré e Lábrea – vive um momento decisivo. A expansão das frentes de ocupação, os projetos de infraestrutura e as pressões sobre os recursos naturais exigem planejamento territorial, políticas públicas efetivas e o fortalecimento das vozes locais.

É nesse contexto que o IEB, por meio de seus programas Povos Indígenas (PPI) e Ordenamento e Governança Territorial na Amazônia (ORDAM), tem concentrado esforços para garantir que as populações amazônicas tenham protagonismo nas decisões que afetam seus territórios e modos de vida. Em outras palavras, o IEB trabalha para que os direitos dos povos indígenas de gerir seus territórios com autonomia e protagonismo frente às atuais pressões exercidas pela sociedade sejam respeitados e garantidos.

Povos Indígenas: autonomia e fortalecimento de direitos

O Programa Povos Indígenas (PPI) do IEB trabalha para fortalecer a autonomia política e a capacidade de gestão territorial dos povos indígenas. A partir de um diálogo direto com organizações indígenas, associações locais e órgãos de governo, o PPI apoia:

  • Fortalecimento institucional de organizações indígenas;
  • Incidência política e controle social e defesa de direitos;
  • Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), elaborados e implementados pelas próprias comunidades;
  • Formação e capacitação de lideranças e gestores indígenas em temas de governança, legislação e sustentabilidade;
  • Apoio a construção e fortalecimento dos protocolos de consulta livre, prévia e informada, conforme a Convenção 169 da OIT;
  • Promoção de redes de cooperação entre povos indígenas e instituições públicas, ampliando a capacidade de diálogo e incidência política.

Essas ações buscam garantir que o desenvolvimento regional ocorra com o devido respeito aos direitos territoriais e culturais, reforçando o papel dos povos indígenas como guardiões da floresta e atores centrais da Amazônia contemporânea.

Saiba mais sobre o Programa Povos Indígenas neste link.

Ordenamento Territorial: governança e sustentabilidade

O Programa Ordenamento e Governança Territorial (ORDAM) tem como foco apoiar a construção de mecanismos de governança e gestão integrada dos territórios de povos quilombolas, tradicionais e agricultores familiares. No Amazonas, o programa atua junto à governos municipais, órgãos ambientais e organizações locais na criação e implementação de políticas públicas voltadas às economias da sociobiodiversidade e instrumentos de reconhecimento e regularização de territórios tradicionais, gestão territorial e ambiental, e estratégias de governança fundiária.

Entre as principais linhas de ação do ORDAM estão:

  • Mapeamento participativo de territórios e apoio a processos de regularização fundiária;
  • Articulação entre políticas públicas, economias da sociobiodiversidade e gestão comunitária dos recursos naturais;
  • Promoção do diálogo entre atores locais e instituições estaduais e federais, inclusive buscando soluções conjuntas para os desafios da BR-319;
  • Formação técnica e política de agentes locais em gestão territorial e ambiental.

O objetivo é fortalecer a presença do Estado e participação da sociedade civil na governança da região, melhorando as condições de vida e o bem viver das populações que vivem nestes territórios e evitando que a ausência de planejamento se traduza em desmatamento, grilagem e conflitos sociais.

Saiba mais sobre o Programa Ordenamento e Governança Territorial neste link.

Trabalho em rede e construção coletiva

O trabalho do IEB se baseia em uma metodologia participativa e colaborativa, que valoriza os saberes locais e promove a corresponsabilidade na gestão da Amazônia. O IEB atua em parceria com organizações indígenas e comunitárias, universidades, prefeituras, Ministério Público, órgãos indigenistas e ambientais e outras OSCs, articulando esforços para que o Sul do Amazonas seja uma referência em desenvolvimento sustentável e justiça socioambiental.

Essas parcerias têm permitido a criação de espaços permanentes de diálogo e articulação territorial, onde comunidades, governos e sociedade civil discutem estratégias para enfrentar desafios comuns — como a pressão sobre os territórios, o avanço de atividades ilegais e a necessidade de infraestrutura planejada e inclusiva.

Avançar sem retroceder

A pavimentação da BR-319 é uma das discussões mais complexas e estratégicas da Amazônia brasileira. O debate, frequentemente reduzido à dicotomia “contra ou a favor da obra”, ignora o que realmente está em jogo: como proporcionar um desenvolvimento sustentável sem violar direitos e destruir a floresta.

Para o IEB, o debate sobre a BR-319 e o futuro do Sul do Amazonas deve ser pautado pelo respeito aos modos de vida das populações que dependem da floresta e a protegem, com políticas públicas que valorizem esses territórios e reconheçam sua importância para o equilíbrio climático planetário.

Assim, a atuação do IEB na região busca garantir que as políticas públicas e os investimentos em infraestrutura sejam acompanhados por planejamento, transparência e inclusão social, consolidando um modelo de governança que inspire outras partes da Amazônia.

Para o IEB, a questão central é a ausência de uma governança robusta que assegure salvaguardas socioambientais e territoriais.

A organização defende que qualquer intervenção em um ecossistema tão sensível deve ser acompanhada por mecanismos concretos de proteção aos povos indígenas, comunidades tradicionais e à biodiversidade.

Avançar sem retroceder

A proposta do IEB para a BR-319 envolve a criação de salvaguardas socioambientais vinculantes, que assegurem:

  • Consulta livre, prévia e informada a todas as comunidades afetadas;
  • Preservação dos ecossistemas e controle do desmatamento ao longo da rodovia;
  • Regularização fundiária e fortalecimento institucional local;
  • Apoio à economia de base florestal e às cadeias sustentáveis;
  • Transparência e monitoramento participativo em todas as fases da obra.

Essas medidas são vistas pelo IEB como condições indispensáveis para que a BR-319 não repita os erros de outras rodovias amazônicas, que abriram caminho para degradação e violência.

“Nosso trabalho parte da premissa de que o desenvolvimento só é legítimo quando as comunidades são ouvidas, os direitos são respeitados e o meio ambiente é preservado”.

Os argumentos do debate sobre a BR-319: diálogo, técnica e responsabilidade

A pavimentação da BR-319 mobiliza diferentes visões sobre desenvolvimento e conservação. O IEB acredita em debates técnicos, democráticos, baseado em evidências e com protagonismo das populações locais.

O futuro da BR-319 envolve temas centrais: integração regional, políticas de infraestrutura, direitos territoriais e proteção ambiental. Por isso, é natural e saudável que existam posições divergentes. O que o IEB acredita é que o debate seja técnico, transparente e democrático.

O confronto de ideias é legítimo; o que não é aceitável é a desinformação ou o uso político da obra em detrimento dos fatos científicos e socioambientais e de negação da realidade de quem vive ao longo da rodovia.

Salvaguardas necessárias

Os setores e organizações que apoiam a pavimentação da BR-319 com condições e salvaguardas socioambientais defendem que:

A rodovia pode melhorar a integração logística e o acesso a serviços entre Rondônia e Amazonas, reduzindo custos de transporte e fortalecendo o abastecimento regional.
A ausência de infraestrutura isola comunidades e encarece bens e serviços essenciais, o que impacta diretamente a qualidade de vida da população local.
A pavimentação não precisa repetir os erros do passado: com licenciamento rigoroso, monitoramento e governança participativa, é possível reduzir riscos ambientais e promover desenvolvimento sustentável.
Projetos de infraestrutura podem ser vetores de ordenamento territorial, desde que acompanhados de políticas públicas para regularização fundiária, fiscalização e controle do desmatamento.

Alertas importantes

Muitas organizações da sociedade civil têm chamado a atenção para:

O risco ambiental e climático é muito alto: estudos indicam que a pavimentação da rodovia tende a acelerar o desmatamento, impulsionando grilagem e queimadas em uma das regiões mais preservadas da Amazônia.
A BR-319 atravessa áreas de altíssima relevância ecológica e sociocultural, com presença de povos indígenas, comunidades tradicionais e unidades de conservação.
O licenciamento ambiental é insuficiente: faltam garantias de mitigação e planos de controle efetivo, o que pode tornar a obra juridicamente vulnerável.
A reabertura da estrada em 2014 já demonstrou efeitos negativos – aumento de invasões, especulação fundiária e desmatamento acelerado nos municípios do entorno.
Os custos ambientais e sociais superam os ganhos econômicos, e o investimento deveria priorizar infraestrutura social, logística fluvial e tecnologias sustentáveis de transporte.

Debate técnico e governança

O IEB reconhece a legitimidade das diferentes posições e acredita que o diálogo é essencial para o fortalecimento de decisões democráticas e ambientalmente responsáveis. Temos compromisso com um processo responsável, baseado em ciência, planejamento, participação e inclusão social.

O foco deve estar na governança do território: garantir que as decisões sejam tomadas com base em dados, transparência e escuta dos povos afetados.

Protocolos de Consulta, PGTAs, monitoramento participativo e salvaguardas ambientais são instrumentos que permitem alinhar o desenvolvimento à proteção da floresta e dos direitos humanos.

Argumentos válidos são aqueles fundamentados em evidências científicas, técnicas, socioeconômicas e ambientais, que buscam soluções e não culpados.

“O debate sobre a BR-319 precisa sair do campo da polarização e entrar no campo da governança. Só com diálogo, técnica e responsabilidade é possível construir um caminho sustentável.”

Democracia ambiental e transparência

Em síntese, a divergência é parte da democracia, e o IEB defende que ela seja informada, pública e respeitosa. O futuro da BR-319 deve ser decidido com base em conhecimento científico, técnico, participação social e compromisso com o clima e a floresta. A sociedade civil, o Estado e as comunidades locais precisam ocupar o mesmo espaço de diálogo, construindo juntos um modelo de desenvolvimento justo, inclusivo e que respeite os direitos das populações locais.

Por que a sociedade civil deve participar

Organizações da sociedade civil atuam em colaboração para garantir transparência, diálogo e sustentabilidade nas decisões sobre o futuro da região.

O IEB entende que a governança da Amazônia – e especialmente do corredor da BR-319 – não é responsabilidade de um único setor. O tamanho e a complexidade dos desafios ambientais, sociais e econômicos exigem cooperação entre Estado, sociedade civil e comunidades locais.

Nesse contexto, organizações da sociedade civil (OSCs) como o IEB têm papel essencial: oferecer conhecimento técnico, promover participação social e fortalecer a gestão pública e comunitária. Muitas organizações atuam juntas numa união que foi inicialmente nominada como “Consórcio BR-319”. Mais tarde, o grupo passou a se autodenominar como “Rede de parceiros da BR-319”.

As organizações da sociedade civil não substituem o Estado, mas atuam em colaboração e também no monitoramento de implementação de políticas públicas, preenchendo lacunas, articulando saberes e ampliando o alcance destas.

Legitimidade construída a partir do território

As OSCs atuam com base em parcerias transparentes e de longo prazo com comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas, universidades e órgãos governamentais. Seu trabalho nasce no território, a partir do diálogo e da escuta das populações locais, e se traduz em formação de lideranças, planejamento participativo e produção de conhecimento situado. No caso da BR-319, essas organizações têm contribuído com:

  • Apoio à elaboração dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e dos Protocolos de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI);
  • Monitoramento participativo de desmatamento e governança fundiária;
  • Ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas;
  • Fortalecimento institucional de organizações comunitárias e indígenas;
  • Diálogo técnico com órgãos públicos, contribuindo para decisões mais informadas e transparentes. 

“A legitimidade da sociedade civil vem da sua escuta e da sua presença. Ninguém conhece o território sem pisar nele, e é isso que as organizações fazem: constroem pontes entre a floresta e as políticas públicas”.

Participação social como pilar da democracia ambiental

A Constituição Federal de 1988 e diversos tratados internacionais ratificados pelo Brasil reconhecem que a gestão ambiental deve ser participativa. O envolvimento da sociedade civil amplia a representatividade, melhora a qualidade das decisões e garante o controle social sobre o uso dos recursos públicos e naturais.

Na Amazônia, essa participação é vital: é ela que assegura que as políticas de desenvolvimento respeitem a diversidade cultural, os direitos humanos e a integridade ecológica da floresta.

O IEB acredita que a governança participativa da Amazônia é construir coletivamente. A sociedade civil tem o direito – e o dever – de participar e propor soluções, para que o futuro da BR-319 e da região seja decidido com ciência, justiça e participação social.

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Instrumentos de gestão territorial e ambiental

O IEB segue comprometido em apoiar processos de gestão participativa e autônoma, para que o futuro da Amazônia seja decidido por quem a vive e a protege.

A atuação do IEB com povos indígenas tradicionais tem como eixo central o fortalecimento de instrumentos de gestão territorial e ambiental que permitam que esses povos atuem de forma autônoma, legítima e eficaz na proteção e gestão de seus territórios. Conheça a seguir os principais instrumentos e exemplos recentes de construção coletiva.

Principais instrumentos de gestão

Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) Documento estratégico e participativo, elaborado pelas próprias comunidades indígenas, que define diretrizes de uso, proteção, manejo, monitoramento e governança ambiental de seus territórios. O PGTA é ferramenta central para garantir que a gestão territorial seja tomada de dentro, respeitando saberes locais, e para articular as demandas comunitárias com políticas públicas.
Protocolo de Consulta Instrumento de governança que define os parâmetros e o passo a passo para garantir que consultas aos povos indígenas sejam livres, prévias, informadas e realizadas em língua indígena, quando necessário, com ampla participação. O Protocolo de Consulta fortalece a legitimidade dos processos de tomada de decisão e ajuda a prevenir conflitos internos e externos.
Agentes Ambientais Indígenas / pesquisadores locais Pessoas formadas pela própria comunidade que atuam na gestão territorial, especialmente no monitoramento territorial, na coleta de dados, na fiscalização local e no diálogo com órgãos públicos. Os técnicos indígenas em SIG (Sistema de Informação Geográfica Indígena) fazem parte do sistema de monitoramento integrado. Os agentes ambientais indígenas favorecem o protagonismo local no uso de instrumentos de gestão, fortalecendo a vigilância de ameaças ambientais.
Participação coletiva e diálogos internos Espaços de escuta e deliberação comunitária (reuniões de aldeias, assembleias, oficinas em língua indígena) são parte integrante do processo de construção dos PGTAs e protocolos. A participação de anciãos, mulheres, jovens e diversos segmentos da comunidade é essencial para garantir que o instrumento seja legítimo e eficaz.

Apoio à implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs)

Na frente de atuação junto aos povos indígenas, o IEB tem apoiado a elaboração de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs). Os PGTAs de Terras Indígenas (TIs) são importantes ferramentas de implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). São instrumentos que visam à valorização do patrimônio material e imaterial indígena, à recuperação, à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais, assegurando a melhoria da qualidade de vida e as condições plenas de reprodução física e cultural das atuais e futuras gerações indígenas.

Três PGTAs se destacam no trabalho do IEB: Camicuã, Tenharim Marmelos e Tenharim Igarapé Preto, sempre com abordagem adaptada a cada realidade local, fortalecendo os laços institucionais internos e garantindo que os instrumentos reflitam os valores, desafios e aspirações dos povos.

O processo envolve formação de agentes ambientais indígenas (AAI), pesquisadores do Protocolo de Consulta e técnicos em SIG, todos oriundos da própria comunidade; ampla participação das aldeias, com momentos de debate sem a presença de parceiros externos, para que a comunidade internalize o sentido e as implicações do PGTA e do Protocolo de Consulta; e a atuação do IEB como assessor técnico, com papel de apoio e facilitação.

Importância desses instrumentos

Autonomia e soberania territorial: permitem que os povos definam as regras culturalmente definidas que valem dentro de seu território, com respaldo técnico e legal.
Prevenção de conflitos: ao estabelecer procedimentos de consulta e participação legítimos, reduzem-se as disputas internas e externas.
Integração com políticas públicas: os PGTAs e protocolos servem como base para diálogo com governos municipais, estaduais e federais, facilitando que programas públicos respeitem as diretrizes locais.
Vigilância e proteção ambiental: com agentes e monitoramento local, é possível detecção precoce de invasões, desmatamento ou outras ameaças.
Fortalecimento institucional local: o processo de construção desses instrumentos fortalece as organizações indígenas e comunitárias, promovendo capacidade técnica, legitimidade e credibilidade.

O PGTA é mais do que um plano: é a tradução de como queremos viver e cuidar da nossa terra.” — Liderança Tenharim, Mbotawa 2024

Protocolos de Consulta:autonomia e direito à palavra dos povos da Amazônia

A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil, garante aos povos indígenas e comunidades tradicionais o direito de serem consultados de forma livre, prévia e informada (CLPI) sempre que medidas administrativas ou legislativas possam afetar seus territórios, modos de vida e culturas.

No entanto, para que essa consulta ocorra de maneira legítima, é fundamental que os povos definam, com autonomia, como querem e devem ser consultados, conforme seus ditames de organização social.

Foi a partir desse princípio que surgiram os Protocolos de Consulta, instrumentos criados pelas próprias comunidades para estabelecer regras internas voltadas ao mundo exterior sobre quem consulta, quem deve ser consultado, como o processo deve ocorrer e quais são os tempos e formas de decisão.

O IEB tem desempenhado papel central na construção participativa desses protocolos junto a povos indígenas e comunidades tradicionais na Amazônia. Desde o início dos anos 2000, o IEB tem apoiado processos de formação, escuta e articulação que resultam em instrumentos legítimos e reconhecidos nacionalmente, fortalecendo a governança e a autodeterminação dos povos.

Metodologia: participação e autonomia

Os Protocolos de Consulta apoiados pelo IEB são elaborados com base em processos coletivos, transparentes e autônomos, conduzidos pelas próprias comunidades. A metodologia parte de um princípio simples: quem será consultado deve decidir as regras da consulta.

As etapas geralmente incluem:

  • Mobilização comunitária e escuta inicial: reuniões em aldeias, oficinas e assembleias para debater o que significa ser consultado e como o povo deseja organizar o processo;
  • Capacitação e formação: oficinas sobre direitos territoriais, legislação nacional e internacional, experiências de outros povos e papel da consulta como ferramenta de autonomia; 
  • Construção e redação coletiva: elaboração do texto do protocolo com participação de lideranças, mulheres, jovens, anciãos e organizações locais;
  • Validação e aprovação: o documento é aprovado por meio de assembleias gerais e registrado como norma interna do povo; 
  • Implementação e atualização contínua: uso do protocolo em processos reais de consulta e sua revisão conforme a experiência prática.

 

Durante todo o processo, o IEB atua como facilitador técnico e institucional, sem impor modelos. Seu papel é garantir informação, apoiar a formação e assegurar que o protagonismo permaneça nas mãos das comunidades. Essa abordagem reforça a autonomia, legítima o resultado e fortalece o direito à autodeterminação.

Protocolos construídos com o apoio do IEB

Ao longo dos últimos anos, o IEB tem acompanhado e apoiado a construção de diversos Protocolos de Consulta em territórios indígenas do Sul do Amazonas e de outras regiões da Amazônia, especialmente em áreas impactadas pela BR-319.

São exemplos:

  1. Protocolo de consulta da Terra Indígena Tenharim Marmelos
  2. Protocolo de consulta do Povo Tenharin da Terra Indígena Sepoti
  3. Protocolo de consulta do Povo Parintintin das Terras Indígenas Nove de Janeiro e Ipixuna
  4. Protocolo de consulta do Povo Mura e Munduruku
  5. Protocolo de Consulta dos Povos Kagwahiva do Sul do Amazonas
  6. Protocolo de consulta do Povo Indígena Pain Jiahui
  7. Protocolo de consulta do Povo Tenharin do Igarapé Preto
  8. Protocolo de consulta do Povo Apurinã das Terras Indígenas Apurinã do Igarapé São João e Apurinã do Igarapé Tawamirim
  9. Protocolo de Consulta das Comunidades Tradicionais do Território do Lago do Capanã Grande, Manicoré-AM
  10. Protocolo de Consulta da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Amapá, Manicoré-AM
  11. Protocolo de Consulta das Comunidades Do Território do Projeto de Assentamento Agroextrativista Jenipapo, Manicoré-AM
  12. Protocolo de Consulta do Território de Uso Comum (TUC) do Rio Manicoré e Terra Indígena Rio Manicoré, Manicoré-AM

Esses processos são exemplos concretos de como o IEB atua a partir do território, em parceria com os povos e suas organizações, para consolidar instrumentos de governança próprios, legítimos e reconhecidos.

Para que serve um Protocolo de Consulta e sua importância

O Protocolo de Consulta é uma ferramenta de proteção e de exercício da autonomia. Ele define como o Estado e as empresas devem dialogar com os povos e comunidades, garantindo que as decisões que os afetam sejam tomadas com base em respeito, informação e consentimento.

Funções e benefícios

Estabelece regras próprias e transparentes para consultas legítimas;
Garante que o processo seja livre, prévio e informado, respeitando o tempo e as formas de decisão das comunidades;
Evita conflitos e judicializações, ao dar segurança jurídica a todos os envolvidos;
Fortalece a autonomia política, cultural e institucional dos povos;
Reforça o papel das mulheres, jovens e lideranças tradicionais como vozes ativas no processo de decisão.

A importância da CLPI para a BR-319 e outros empreendimentos

A pavimentação da BR-319, assim como outros grandes empreendimentos na Amazônia, impacta diretamente territórios indígenas e comunidades tradicionais. Por isso, é indispensável que sejam respeitados os Protocolos de Consulta e que cada povo tenha a oportunidade de ser ouvido de forma livre, prévia e informada.

O IEB defende a criação e funcionamento de Comissões Locais de Consulta (CLPIs) para a BR-319 e demais obras, assegurando que o processo de consulta envolva todas as comunidades potencialmente afetadas; seja conduzido conforme os protocolos já existentes; respeite a diversidade de povos e contextos; produza decisões legítimas, reconhecidas e sustentáveis.

O IEB reafirma seu compromisso com os direitos à consulta e à autodeterminação dos povos da Amazônia, fortalecendo instrumentos que garantem voz, autonomia e futuro aos guardiões da floresta.

Conheça mais sobre os Protocolos de Consulta neste link.

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Formar Direitos: fortalecer pessoas para transformar territóriosl

Na Amazônia, os direitos não são apenas princípios abstratos – são a base concreta da sobrevivência. Em um território imenso e diverso, onde comunidades enfrentam desafios históricos de invisibilidade e vulnerabilidade, formar pessoas é a forma mais duradoura de proteger florestas, rios e modos de vida.

É com essa convicção que o IEB criou e implementou o Formar Direitos, uma iniciativa voltada ao fortalecimento das lideranças locais, indígenas e comunitárias, por meio da formação política, jurídica e cidadã.

O que é o Formar Direitos

O Formar Direitos é um programa de capacitação e empoderamento social que busca ampliar o conhecimento das populações amazônicas sobre direitos territoriais, ambientais e humanos, conectando a defesa dos territórios com a construção de justiça e democracia.

A proposta nasceu da experiência prática do IEB em campo – onde se  percebeu que muitas das ameaças às comunidades, sejam invasões, obras ou degradação ambiental, estão associadas à falta de informação acessível e de instrumentos de defesa jurídica e política.

Mais do que cursos, o Formar Direitos é um processo de formação contínua e participativa, que une saber tradicional, educação popular e metodologias de aprendizagem ativa.

Os conteúdos abordam temas como consulta livre, prévia e informada (CLPI), licenciamento ambiental, organização comunitária, advocacy, gestão de políticas públicas, mudanças climáticas e governança territorial.

Metodologia: aprender fazendo, aprender no território

A metodologia do Formar Direitos parte do princípio de que ninguém ensina sozinho – o conhecimento é construído em diálogo. Cada ciclo formativo envolve oficinas presenciais, vivências práticas e atividades de campo, realizadas diretamente nas comunidades ou em espaços coletivos de formação regional.

O aprendizado é dinâmico e voltado à realidade local: as lideranças são estimuladas a identificar problemas concretos, analisar as causas estruturais e formular estratégias coletivas de resposta.

O processo combina linguagens e ferramentas: material didático acessível, rodas de conversa, dramatizações, mapeamentos participativos e debates guiados. Esses momentos permitem que cada participante reconheça o valor político de seu território e compreenda que a defesa da terra é também defesa de direitos humanos e ambientais.

Resultados e impacto

Desde sua criação, o Formar Direitos tem alcançado diversas comunidades e povos do Sul do Amazonas e de outras regiões amazônicas, fortalecendo redes de defesa territorial e de incidência política. Os participantes – entre os quais mulheres, jovens, lideranças indígenas e comunitárias – tornam-se multiplicadores, levando o aprendizado para suas aldeias, associações e movimentos locais.

Entre os principais resultados estão:

  • Maior capacidade de diálogo com órgãos públicos e parceiros institucionais;
  • Fortalecimento de organizações de base e criação de novos coletivos;
  • Participação ativa em processos de consulta e licenciamento ambiental;
  • Integração do conhecimento jurídico com saberes tradicionais, ampliando a autonomia das comunidades na tomada de decisões. 

 

Em várias regiões, os egressos do programa assumiram papel central na elaboração de PGTAs, Protocolos de Consulta e projetos de gestão territorial, transformando o aprendizado em prática cotidiana de governança e resistência.

Aprender para defender

O Formar Direitos mostra que educação é também uma forma de proteção territorial.
Ao compreender a legislação, reconhecer os próprios direitos e fortalecer suas organizações, as comunidades ampliam sua capacidade de dialogar,  resistir e propor caminhos de desenvolvimento sustentáveis e justos.

Essa é a essência do trabalho do IEB: contribuir para formar sujeitos de direitos capazes de transformar territórios em espaços de autonomia, dignidade e futuro. 

O Formar Direitos é mais do que um programa de formação – é uma aposta na força das pessoas como alicerce da democracia e da justiça socioambiental na Amazônia. Faz parte da metodologia Formar, que o IEB já implementou em diversas ocasiões com públicos amplos, sempre conectando saberes em diálogo.

“O Formar Direitos é mais do que um curso. É um exercício de liberdade, de reconhecer-se sujeito de direitos e de voz.” — Facilitadora do IEB

“A floresta é protegida por quem a conhece, mas também por quem sabe que tem o direito de defendê-la.” — IEB

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