Manejo empodera comunidades com florestas produtivas e preservadas

  April 8, 2019

A Embrapa Amazônia Oriental junto ao Instituto Floresta Tropical (IFT) e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) realizaram oficina de gestão e ferramentas de manejo florestal para comunitários da Reserva Extrativista Verde para Sempre. O evento ocorreu no período de 6 a 10 de março, na cidade de Porto de Moz, localizado na mesorregião do baixo Amazonas (PA).

Maior reserva extrativista do Brasil com uma área de 1,3 milhão de hectares, a Resex Verde para Sempre também traz em seu histórico o pioneirismo de aprovar o primeiro plano de manejo comunitário madeireiro em uma área protegida no estado do Pará, regido pela instrução normativa de nº16 de 2011 do Instituto Chico Mendes ICMbio/MMA, instrumento que abriu precedência para que futuras comunidades possam realizar atividades semelhantes de extração legal de madeira, gerando produção, renda e sustentabilidade.

Atualmente é a Resex com o maior número de Planos Manejos Florestal Sustentável (PMFS) em execução na Amazônia, sete no total.

Mesmo nesse cenário de vitórias, o planejamento e execução dos planos de manejo florestal comunitário continuam sendo desafiadores à reserva que busca, por meio de parcerias institucionais, unir o saber tradicional às novas tecnologias, para garantir a manutenção das atividades e a floresta produtiva.

A oficina integrou as atividades do Curso de Formação Continuada em Gestão de Empreendimentos Comunitários (Formar Gestão) que tem como o objetivo de aumentar a autonomia das organizações comunitárias para a gestão dos empreendimentos.

A Embrapa Amazônia Oriental e o IFT, nas articulações para a execução das atividades do Projeto Bom Manejo 2,  se uniram ao cronograma do Formar Gestão, para incentivar a aplicação de boas práticas de utilização e conservação das florestas, instrumentalizando técnicos, produtores e mais recentemente, comunitários, com ferramentas computacionais que auxiliam no planejamento do manejo e monitoramento da floresta.

O Bom Manejo 2 conta com quatro ferramentas computacionais para controle e execução dos Planos de Manejo Florestal Sustentável, que estão disponíveis gratuitamente no Portal da Embrapa. O BOManejo, mesmo nome do projeto, auxilia no planejamento da operação florestal; o MOP, executa o monitoramento dos processos produtivos, sejam eles econômicos, sociais, ecológicos e técnicos; MEOF, realiza o levantamento de custos e receitas; e o MFT, o monitoramento da dinâmica e recomposição florestal.

Ferramentas empoderam as comunidades para o mercado florestal

Lucas Mazzei, pesquisador responsável pelo MOP e que participou do evento, explicou que projeto foi bem recebido pelos comunitários e analisou que o Bom Manejo pode ajudar na organização e controle de todas as etapas dos processos produtivos dos planos de manejo, empoderando os comunitários para acessar o mercado e negociar em patamares mais igualitários. “Com controle e gestão direta do manejo, a comunidade pode disputar mercado com mais controle e seus processos ficam mais próximos de conquistas de certificações importantes, sociais e ecológicas, que podem diferenciar a produção no mercado da madeira”, ponderou.

Durante a oficina, construiu-se junto aos comunitários, verificadores sociais que serão utilizados no Software MOP, nas atividades a serem desenvolvidas posteriormente na Resex. As demais ferramentas do Bom Manejo também foram apresentadas e deverão integrar os processos do manejo na Verde para Sempre. Nos meses de julho, agosto e setembro estão previstas visitas a campo, para testar as ferramentas durante a etapa de colheita.

Para a líder comunitária Margarida da Silva, da comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Rio Arimum, a chegada da Embrapa é mais uma parceria importante para superar os gargalos do manejo florestal na região. “Precisamos de transferência de tecnologias, de ter acesso a esse conhecimento, pois sem ele, não há desenvolvimento”, analisa uma das lideranças que ajudou na criação da reserva e na construção da Instrução Normativa que avaliza os planos de manejo comunitários.

Margarida comenta que a atividade madeireira é praticada há varias gerações. “Temos o conhecimento empírico, mas nos falta o técnico. A gente não sabia fazer planilha e poucos de nós sabem usar ou têm acesso a equipamentos de informática, mas com as parcerias, vamos superar mais esse obstáculo para crescer e melhorar nossos processos”, enfatiza a comunitária.

Nesse sentido, novas formações estão sendo programadas para compor Curso de Formação Continuada em Gestão de Empreendimentos Comunitários (Formar Gestão), conforme explicou o pesquisador Lucas Mazzei, para que os comunitários que atuem na execução dos planos de manejo tenham acesso e o domínio da coleta de dados de campo e aplicação dos Softwares do projeto Bom Manejo.

Capacitações instrumentalizam a comunidade para o manejo

O Formar Gestão, o qual a Embrapa passa a integrar, foi iniciado em 2018 e tem previsão de 12 meses de execução. A atividade é realizada pelo IEB e pelo Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Castanhal, em parceria com o Comitê de Desenvolvimento Sustentável (CDS) de Porto de Moz, o Projeto Bom Manejo 2, que é implementado pelo Instituto Floresta Tropical (IFT) e Embrapa. Ao final, de posse de informações continuamente atualizadas, espera-se que as seis organizações comunitárias detentoras de planos de manejo na Resex Verde para Sempre estejam mais preparadas para a gestão de seus empreendimentos e celebrem melhores contratos para a comercialização de seus produtos.

As capacitações contam também com a parceria do Instituto Conexsus, do FSC, do Imaflora, do Serviço Florestal Americano, do ICMBio e recebe apoio financeiro da USAID, CLUA e ITTO.

Bom Manejo 2 

O projeto Bom Manejo, desenvolvido pela Embrapa e financiado pelo ITTO (Organização Internacional de Madeira Tropical), tem como objetivo aplicar boas práticas de utilização e conservação das florestas. Para isso, desenvolveu ferramentas computacionais que auxiliam técnicos e produtores no planejamento do manejo e monitoramento da floresta.

As ferramentas são gratuitas, direcionadas a técnicos de empreendimentos florestais, comunidades e órgãos de fiscalização.

Milton Kanashiro, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e um dos responsáveis pelo projeto, avalia que um bom plano de manejo resulta em sustentabilidade ambiental e econômica. “Um manejo bem feito pressupõe retirar a madeira e promover que as populações de árvores continuem num processo de crescimento e que dentro de um ciclo de 35 anos seja possível uma nova retirada”.

O Bom Manejo é executado pela Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Amapá e conta com a parceria do Instituto Florestal Tropical (IFT), Serviço Florestal Brasileiro (SFB) , FidesaUniversidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), entre outras.

Texto: Kélem Cabral
Embrapa Amazônia Oriental

Foto: Ronaldo Rosa