Terras Indígenas preservadas há mais de 10 anos aparecem no mapa do desmatamento em julho de 2020

  September 1, 2020

Dados foram analisados pelo Observatório da BR-319, com informações do INPE, e divulgados mais recente informativo, lançado no dia 31 de agosto.

Manaus, 31/08/2020 – Terras indígenas sem histórico de desmatamento apresentaram, pela primeira vez em 10 anos, áreas de floresta derrubada, é o que aponta o boletim de monitoramento do Observatório da BR-319, divulgado esta semana, em novo informativo. Essas TI são monitoradas desde 2010, e até então estavam intactas. Esse desmatamento inédito preocupa pesquisadores e lideranças indígenas.

Quatro TIs tiveram essa característica: TI Alto Sepatini (Lábrea) TI Paumari do Cuniuá (Tapauá), TI Paumari do Lago Manissuã (Tapauá) e TI Setemã (Borba, Novo Aripuanã). Somado, o desmatamento nas quatro terras indígenas foi de pouco mais de 9 hectares, mas, apesar de incipiente, esse desmatamento representa uma modificação no comportamento do desmatamento nessas TIs, não sendo possível identificar ainda se essa é uma modificação permanente ou pontual.

“Esse registro é inédito desde o início do monitoramento dessas áreas, em janeiro de 2010, então é correto dizer que essas terras estavam preservadas há pelo menos 10 anos e agora apareceram no mapa de desmatamento, devendo ser um foco de atenção nos monitoramentos dos próximos meses” destacou Paula Guarido, pesquisadora que acompanha e analisa os dados coletados através do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.

De acordo com as lideranças indígenas contatadas pela equipe do Observatório, a ação de agentes externos e a falta de fiscalização são os principais motivos não só para o crescimento dos índices, mas para a inclusão dessas novas áreas antes conservadas.

“Desde março de 2020, quando começou a pandemia, o desmatamento aqui na região vem aumentando por conta das invasões das Terras Indígenas. Nós ficamos à mercê dos invasores. Estamos totalmente abandonados pelos órgãos de gestão. Não há fiscalização” – Nilcélio Jiahui, liderana indígena e membro da Coiab.

Outro motivo para a preocupação é que, na Amazônia, os desmatamentos quase sempre antecedem as grandes queimadas. Ou seja, uma alta no índice de desmatamento vem seguida de uma alta também nos índices de focos de calor, queimadas e incêndios florestais.

Até final de julho, onze das 69 TI monitoradas apresentaram focos de calor. A TI Coatá-Laranjal liderou o número de focos de calor em julho, com 13 focos, seguida pela TI Tenharim Marmelos e pela TI Tenharim/Marmelos, que apresentaram oito e cinco focos, respectivamente. Esse número deve crescer até final de agosto, que historicamente tem índices maiores de focos de calor.

Os dados completos do monitoramento de desmatamento e queimadas estão no informativo do Observatório da BR-319, disponível em www.observatoriobr319.org.br. Os interessados em recebê-lo mensalmente por e-mail também pode se cadastrar em: bit.ly/br-319

O Observatório BR-319 é formado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Fundação Fundação Vitória Amazônica (FVA), Instrituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (desam), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Wildlife Conservation Society (WCS) e World Wide Fund for Nature (WWF-Brasil).

Confira AQUI a 11° edição do Informativo do Observatório da BR-319, em novo formato

  

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