UFOPA realiza I Seminário de Gestão de Florestas

O evento foi inserido na agenda anual de programações da universidade


Nos dias 25 e 26 de julho, aconteceu na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), na cidade de Santarém, o I Seminário sobre Gestão de Florestas. Nascido a partir do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, a iniciativa buscou aproximar o curso de Economia e o Instituto da Biodiversidade e da Engenharia Florestal (IBEF) .  Participaram do evento cerca de 250 pessoas.

Contexto regional

A região é tributária do maior mosaico de Unidades de Conservação (UC) do estado do Pará, perto de 33 UC’s, constantemente ameaçadas pela pressão do avanço da fronteira do capital e pela insegurança fundiária, esta última considerada o principal gargalo. As unidades configuram uma estratégia de enfrentamento ao desmatamento.

Reservas extrativistas (Resex), Florestais nacionais (Flona), Reservas biológicas (Rebio), Áreas de Proteção Ambiental (APA) são algumas das modalidades de unidades.  Em alguns casos é permitida a presença humana no interior da unidade, a exemplo das Resexs. Apesar da modalidade “Flona” não permitir a presença do ser humano em seu território, a Flona Tapajós configura uma exceção. 

A Flona Tapajós é a mais pesquisada no país, informa Darlison Caravalho, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Pesam a favor o fato desta exceção e outros atrativos, como estar numa zona de expansão do grande capital. Destaca-se ainda uma complexa sociodiversidade, onde é possível verificar a presença de indígenas, quilombolas, além de um complexo campesinato numa das mais importantes bacias hidrográficas da Amazônia, onde predominam os rios Amazonas e o Tapajós, região marcada pela presença de uma civilização pré-colombiana.  

O técnico enfatiza que os desafios das instituições são grandes. “Temos problemas com relação aos recursos humanos e financeiros, que tentamos superar com parcerias nacionais e internacionais”, avalia. 

O Seminário

 Além da mesa de abertura, que contou com a presença da reitora Raimunda Monteiro, primeira coordenadora do Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor), instituição vinculada ao Estado, também participaram do evento representantes do mercado, da sociedade civil e de instituições públicas de diferentes esferas ligadas ao setor.

Manuel Amaral, representante do Instituto de Educação do Brasil (IEB), ao alertar sobre o delicado cenário florestal, ressalta como fatores limitantes para o bom desenvolvimento do setor a ausência de uma agenda nacional, má articulação do setor, em particular na Amazônia, e o fato da exploração ilegal ser mais “competitiva” que o Manejo Florestal Comunitário (MFC).

Ao tratar sobre concessões florestais, Amaral enfatiza que o processo não decolou como se esperava. E isso se agrava com a equação que combina escassez de floresta e aumento de casos de fraudes, bem como a tensão com as comunidades do entorno das concessões.

O representante do IEB advoga em favor do MFC e ressalta o alto potencial da região, estimado em 40%, o que pode garantir a integridade das áreas protegidas. Como em outros setores, o dilema fundiário é o grande obstáculo a ser superado para o MFC deslanche. O IEB, ao lado do Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Castanhal, têm investido na formação de lideranças comunitárias na região do Baixo Amazonas, objetivando contribuir para o cenário existente.

A Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona) é uma referência em manejo no país. No entanto, o plano de uso, criado em 2005, passa por avaliação e reelaboração. Jeremias Batista, representante da cooperativa, alerta: “Caso não ocorra de forma ágil a renovação do plano de uso da Flona, a atividade da Coomflona ficará comprometida”.

Victor Moutinho, professor do IBEF,apresentou alguns resultados de pesquisa, onde ressalta ser necessário otimizar ainda o recurso do manejo. “Desperdiçamos algo em torno de um bilhão com os refugos da exploração que podem ser transformados em inúmeros utensílios”, pontua. 

Polianna Silva, discente de Gestão Pública e uma das organizadoras do evento, destaca que “o seminário veio somar com os aprendizados em sala de aula, e que as mesas de debates auxiliaram no entendimento sobre os diferentes olhares sobre a gestão de florestas, bem como   conhecer um pouco sobre as políticas públicas do setor e as relações com as populações que nelas vivem.” 

Em conversas preliminares durante a realização do evento, ocorreu a sugestão da atividade ser inclusa na agenda da instituição. Os coordenadores do seminário irão encaminhar as medidas necessárias já para a preparação do II Seminário de Gestão de Florestas, a ser realizado no início do ano que vem. 

 

Texto: Rogério Almeida

Edição: Juliana Lima 







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