Rodada de reuniões marcam início do projeto SulAm indígena na calha do rio Purus

Além da equipe do IEB, comunidades e lideranças indígenas estiveram nas reuniões que aconteceram entre os dias 12 e 17 de maio

O SulAm Indígena realizou na última semana rodada de reuniões onde foram apresentadas as ações que compõe os cinco eixos temáticos do projeto SulAm indígena na calha do rio Purus (AM): Proteção Territorial, Gestão Ambiental, Atividades Produtivas, Fortalecimento Institucional das Associações Indígenas e Monitoramento do avanço do desmatamento. Os encontros aconteceram na TI Boca do Acre, TI Km 124 e TI Água Preta Inari, em que vivem o povo Apurinã.

A abertura da reunião foi feita pelo cacique Geraldo da Terra Indígena Km 124 que agradeceu o trabalho desenvolvido pelo IEB na região. “É com muita satisfação que recebemos o IEB que vem aqui atender algumas demandas da nossa comunidade, que são muitas. Ficamos muito ansiosos por esse momento. Como vocês sabem já se passaram mais de dois anos desde que eu e outras lideranças da nossa terra e de outras terras indígenas do Médio Purus e Médio Madeira nos reunimos em Rio Branco para construir esse projeto. Sabemos que foi preciso muita luta para que isso acontecesse e por isso hoje é um momento importante nós.” , afirmou Geraldo.

Além da equipe do IEB, comunidades e lideranças indígenas estiveram nas reuniões que aconteceram entre os dias 12 e 17 de maio. O evento contou  com a participação das associações indígenas OPIAJBAM e OPIAJ, Funai, SEMA de Boca do Acre, SEMA de Pauini e a liderança Chico Preto, da Coiab.

As Terras Indígenas Boca do Acre e Km 124 estão localizadas no município de Boca do Acre/AM e foram duramente afetadas pelos impactos causados pela BR 317 que cruza ambas as Terras. Segundo o Cacique Chiquinho da TI Boca do Acre: “Nós já esperamos muito pela compensação dos impactos que tivemos em nossa Terra e que mudou nossas vidas para sempre. Mas enquanto a justiça não anda e o governo nos nega o que nos é de direito, nós não podemos ficar parados. Foi com isso em mente que nos articulamos para a construção desse projeto que pode trazer alternativas para a nossa situação”, explicou.

Já a reunião com a terra Indígena Água Preta/Inari/AM, localizada no município de Pauiní,  contou com a presença de lideranças e comunitários de seis aldeias que discutiram as estratégias de implementação dos planos de gestão referentes ao projeto escrito há quase três anos. Representantes da OPIAJ relembraram a circunstância de sua elaboração e como estão lutando para trazer projetos e iniciativas para a região, que dessa vez junto ao IEB, finalmente chegaram.

A liderança da Coiab, Chico Apurinã, nasceu e foi criado em Água Preta Inari e auxiliou na discussão pois participa do Comitê Gestor da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em terras indígenas, na qual foi discutido o edital lançado em 2014. “Percebam que o que hoje acontece durante essa reunião é o que os povos indígenas de todo Brasil estão lutando para garantir, que é a Consulta Prévia e Livre Informada. Além do projeto ter sido construído com as lideranças e associações, o IEB está aqui hoje para explicar e relembrar as atividades que compõe o projeto, ver se precisam novas adequações, ver se o povo está de acordo e partilhar o orçamento de maneira transparente e cuidadosa. É isso que o índio quer, é isso que o governo e as instituições deveriam fazer sempre.”, afirmou a liderança.

O IEB, em parceria com associações indígenas do Médio Purus (FOCIMP, OPIAJ e OPIAJBAM), e associações indígenas do Médio Madeira (APITIPRE, APIJ e OPIAM), conta com o apoio do Fundo Amazônia para executar ações de implementação de PGTAs não só nas Tis Apurinã km-124, Boca do Acre, Água Preta/Inari, mas também na TI Caititu e nas TIs Diahui, Nove de Janeiro e Ipixuna e realizará ainda a elaboração do PGTA da TI Tenharim do Igarapé Preto.

Com essas reuniões a IEB finalizou a rodada de atividades que dão início ao projeto SulAm indígena na calha do rio Purus.







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