Planejamento estratégico é discutido com gestores marajoaras e sociedade civil

O tema norteou o Curso de Capacitação de Gestores Públicos Municipais, realizado pelo IEB, no âmbito do projeto Embarca Marajó

De 26 a 29 de abril, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), no âmbito do projeto Embarca Marajó, realizou o Curso de Capacitação de Gestores Públicos Municipais Marajoaras, em Belém/PA. Com o tema “Planejamento Estratégico para a sustentabilidade local e territorial”, o evento teve como objetivo o fortalecimento da governança local, por meio da capacitação de gestores públicos municipais, tendo como foco a internalização de uma agenda socioambiental no território.  Participaram da iniciativa, representantes da sociedade civil e gestores públicos marajoaras.

Potencialidades e Fragilidades

O Marajó possui especificidades que o caracterizam. As potencialidades do território são visíveis a qualquer um que trafegue por um dos seus extensos rios. Durante o curso de capacitação de gestores públicos, os participantes sistematizaram os pontos fortes e fracos do território, visando produzir um Diagnóstico da realidade Marajoara – etapa primeira ou inicial do processo de planejamento estratégico.

A topografia e as riquezas naturais, assim como a cultura do povo marajoara foram os principais pontos fortes ressaltados como fortalezas e patrimônios públicos da região.  “Temos comunidades extrativistas que trabalham com pesca e açaí, e isso só é possível porque a dimensão geográfica proporciona uma riqueza natural muito grande, com potencialidade econômica para a comunidade”, ressalta Paulo Gonçalves, gestor público de Curralinho /PA e participante do curso.

Apesar da riqueza estampada em cada um dos 16 municípios do arquipélago, a região também se mostra paradoxal, ao apresentar inúmeras fragilidades que comprometem a qualidade de vida da população. Durante as atividades, os gestores foram estimulados a olhar para o território e identificar os entraves. A escassa infraestrutura - que resulta em falta de saneamento, fragilidade na educação e na saúde- foi levantada como um dos principais problemas.

A regionalização das políticas públicas também foi destacada como uma necessidade do território. “Chega até nós uma política de desenvolvimento urbano pautada nas realidades do sul e do sudeste. Como não são consideradas as necessidades especificas do Marajó, a pouca articulação das políticas públicas no local, faz com que haja uma queda na produtividade e desenvolvimento da região, o que reflete nos nossos baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), por exemplo”, afirma Andressa Borges, assessora da prefeitura de São Sebastião da Boa Vista/PA.

Articulação

Mesmo sendo de segmentos distintos, Paulo Gonçalves e Arlete Conceição- Coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará (FETAGRI Regional Marajó), apontam uma alternativa comum para as problemáticas do território: a articulação entre a sociedade civil e a gestão pública dos municípios. O gestor público de Curralinho afirma que política efetiva se faz coletivamente e que as potencialidades do Marajó podem se tornar oportunidades se houver a união entre os atores locais.

Entretanto, para que isso aconteça também é necessário se planejar. Para Alice Acioli, representante do GIGOVBE/Caixa Econômica Federal, o Marajó não tem acesso a alguns recursos financeiros pela falta de planejamento dos municípios. “Com o planejamento estratégico, o Marajó pode se munir de ferramentas para que as ações no território tenham começo, meio e fim. Refletir e estabelecer metas é importantíssimo, por isso que esse módulo do curso de gestores se mostra tão relevante.”

Nesta linha, um dos encaminhamentos do curso foi criação de Instrumentos de Planejamento Estratégico Sustentável para o Território do Marajó, no âmbito social, ambiental, institucional e econômico. Dentre os objetivos estipulados estão: Instituir e potencializar a questão socioambiental com política pública de sustentabilidade no Marajó, Intervir nas políticas públicas em respeito as diversidades do território e Fortalecer as instituições representativas no processo de organização.

O planejamento, por meio da compreensão das potencialidades da gestão pública,  permitirá uma discussão maior sobre o desenvolvimento socioeconômico do Marajó, o que resultará no fomento de uma  agenda socioambiental para o território.

Para Arlete, construir um planejamento estratégico não deve ser a única prioridade, mas principalmente cumpri-lo, para que as futuras gerações tenham condições de habitar no local . “Vejo-me no rosto de cada um que faz dessa região suas crenças, do rio suas ruas e da floresta o seu meio de sobrevivência. Não sou apenas detentora, mas apreciadora de uma riqueza natural que conta todos os dias a nossa história. Espero que possamos continuar  escrevendo, só que de uma forma mais digna”, finalizou.

Próximo encontro

A reflexão sobre o planejamento estratégico marajoara terá continuidade no terceiro módulo do Curso de Gestores Públicos Municipais do Marajó, que tem previsão de ocorrer no período de 21 a 23 de junho de 2016, no município de Curralinho/PA. O curso formativo é uma ação do projeto Embarca Marajó, que conta com o apoio do financeiro do Fundo Socioeconômico da Caixa (FSC). O projeto tem como objetivo implementar ações socioeconômicas e ambientais, visando o desenvolvimento sustentável do território marajoara, especialmente nos municípios onde trafega a Agência- Barco Ilha do Marajó.







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