Os desafios da agricultura familiar para a governança socioambiental em São Félix do Xingu

A publicação foi lançada na XX Feira Pan-Amazônica do Livro

No último dia 4 de junho, durante a XX Feira Pan-Amazônica do Livro, na capital paraense, o IEB lançou a publicação “Governança socioambiental na Amazônia: Agricultura familiar e os desafios para a sustentabilidade em São Félix do Xingu (SFX) – Pará”, organizada por Manuel Amaral, Ruth Corrêa, Romier Sousa e Katiuscia Miranda. A publicação pertence ao selo Mil Folhas, iniciativa do IEB, cujo objetivo é tornar público e disponível para toda a sociedade o conhecimento gerado e acumulado pelas diversas instituições que se dedicam às questões socioambientais.

Lançamento

No evento de lançamento, dois dos organizadores participaram de um diálogo sobre o livro com o público presente, formado por estudantes, pesquisadores e demais interessados no tema. Os primeiros capítulos da publicação reproduzem dois diagnósticos que compilam dados significativos de São Félix do Xingu, como o fato do território ser constituídos de 80% de áreas protegidas, a maioria terras indígenas. Outro dado importante são os mais de 2 milhões de cabeça de gado - o maior rebanho bovino do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o livro também aborda o histórico do desmatamento do município, que resultou em mais de 16 mil quilômetros quadrados de desflorestamento em 2009.

A parte final da publicação traz resultados de dois estudos, que envolveu 30 pequenas propriedades rurais. O conteúdo apresenta as potencialidades e as dinâmicas que a agricultura familiar vem desenvolvendo para mudar o cenário desafiador do município. “Analisamos muitas experiências de diversificação produtiva, que possibilitam a recuperação de áreas degradadas e a produção de forma sustentável”, comenta a coordenadora de projetos do IEB, Ruth Corrêa, uma das organizadoras da publicação.

Para Romier Sousa, professor do Instituto Federal do Pará (IFPA) e um dos organizadores do livro, a sistematização da experiência foi importante, na medida em que possibilitou a socialização do processo que contribuiu para a transição agroecológica do município de São Félix do Xingu. Sousa ainda acrescenta: “Hoje, 70% dos créditos rurais  do Pará são direcionados para a pecuária. A experiência em SFX deixa claro que os agricultores têm o interesse de desenvolver outras atividades, mas o modelo atual do crédito não favorece isso. Então, a sistematização talvez possa ajudar no debate das políticas públicas e do crédito, de forma a promover o desenvolvimento sustentável e a agricultura de base ecológica na região”, conclui.

IEB

A publicação é resultado do trabalho do IEB em São Félix do Xingu, iniciado em 2008, em parceria com Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar do Alto Xingu (Adafax) e apoio do Fundo Vale. O Instituto, ao longo de mais de 15 anos de atuação na Amazônia, tem desenvolvido ações que promovem alternativas produtivas sustentáveis para a agricultura familiar e discutem a formulação de políticas públicas de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia.







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