Oficina sistematiza experiência do Fundo Açaí no Marajó

O evento aconteceu na comunidade Santo Ezequiel Moreno, em Portel/PA

Texto e Fotos: Ascom IEB/Juliana Lima 

“Sabe água potável, energia elétrica, condições mínimas de trabalho? Isso é o básico, não é mesmo? Mas, nem isso a gente tinha. Como o governo não olha por nós, vimos que era a gente que tinha que buscar alguma alternativa em favor da nossa qualidade de vida”, quem faz a afirmação é Sônia Oliveira, uma das fundadoras do Fundo Açaí, uma iniciativa autogerida pela comunidade Santo Ezequiel Moreno, no arquipélago do Marajó.


Visando sistematizar a experiência do Fundo e as contribuições para a comunidade Santo Ezequiel Moreno,  nos dias 02 e 03 de Março, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), por meio do projeto Embarca Marajó, realizou a Oficina de Sistematização do Fundo Açaí. O evento aconteceu na comunidade criadora do fundo, em Portel/PA e contou com a participação de mais de 40 comunitários.

 

Fundo Autogerido


Diante do difícil contexto vivido pela comunidade Santo Ezequiel Moreno, onde nem mesmo as necessidades básicas eram supridas, os moradores da localidade recorreram ao principal potencial da região: o açaí. A gente pensou de que maneira poderíamos melhorar essa situação, aí chegamos a conclusão que tinha muito açaí, então seria uma boa ideia separar um real da rasa de açaí vendida e reinvestir esse dinheiro na comunidade. Foi assim que criamos o Fundo.”, relatou  Sônia Oliveira.

O dinheiro arrecadado pelo Fundo logo foi revertido em melhorias para comunidade, hoje se somam 16 melhorias desde a fundação da iniciativa em 2010. “Dentre as mudanças que fizemos na comunidade estão: Ampliação do centro comunitário, construção da passarela que liga as casas da comunidade, assim como uma ponte que nos liga ao local de trabalho, investimos na capela e também água potável”, afirma Nilson Silva, vice-presidente do Fundo Açaí.

Perante comunidades marajoaras com potencialidades semelhantes, a inovação trazida pela Santo Ezequiel Moreno com um fundo autogerido, aliado a ideia visionária dos comunitários, também é acompanhada de uma indagação pelos olhos curiosos de quem acompanha de longe esse processo: “Já que o carro chefe de tantas outras comunidades no Marajó é o açaí, por que na Santo Ezequiel Moreno desenvolveu-se um fundo e  não em outra localidade? Qual é o diferencial da comunidade?”

A resposta dos comunitários é mais rápida do que a própria pergunta, e resume-se a duas palavras: união e organização. “O diferencial daqui é que as pessoas das comunidades entendem que precisam se organizar e ir lutar por melhorias. E esse processo só é possível se fizermos isso juntos!”, diz o comunitário Jailson Silva.

Sistematização

Visando documentar a experiência do Fundo Açaí, o IEB realizou uma oficina ainda no começo de março. Ruth Correa, coordenadora de projetos do IEB, explica o trabalho realizado. “Por meio de atividades metodológicas, o histórico e aprendizados do Fundo foram relatados a partir da visão de seus próprios idealizadores e executores: os comunitários. A ideia é produzir a sistematização de forma participativa e prevemos lançá-la até o final do primeiro semestre de 2017.”

Sônia Santos relata que o processo de sistematização foi positivo. “A gente tem que olhar pra trás e ver aonde a gente chegou, e isso é importante porque conseguimos enxergar no que a gente avançou”. A comunitária ainda complementa sobre a importância da publicação. “A sistematização vai permitir que a gente dissemine essa nossa experiência e quem sabe ela poderá ser replicada em outras comunidades, além disso vamos eternizar em um documento tudo o que foi feito aqui’, comemora.

Nilson Silva fala sobre a expectativa em torno da publicação. “O fundo açaí tem incentivado e patrocinado os comunitários da Santo Ezequiel Moreno a se capacitarem , com o intuito de se apropriarem do conhecimento e o usarmos a nosso favor.  Eu espero que essa publicação motive outros comunitários a se empoderarem para a luta, porque a mudança pode acontecer, mas tem que começar por cada um de nós”.

 







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