IEB dá inicio ao Programa de Formação em Cadeias de Valor Sustentáveis: Formar Castanha


O objetivo do programa, que terá a duração de 10 meses, é qualificar atores sociais envolvidos nas cadeias de valor da sociobiodiversidade para compreenderem e se reconhecerem em diferentes elos das cadeias de valor nas quais estão envolvidos

O IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) finalizou, no último dia 11 de agosto, o primeiro módulo presencial do Formar Castanha, voltado ao um público de 32 comunitários, associações, cooperativas e gestores públicos de áreas protegidas (terras indígenas e unidades de conservação) dos Estados de Rondônia e Amazonas. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o ICMBio, Serviço Florestal dos Estados Unidos, Fundação Nacional do Índio e IEB e faz parte do Projeto Parceria para Conservação da Biodiversidade, com apoio da USAID.

O objetivo do programa, que terá a duração de 10 meses, é qualificar atores sociais envolvidos nas cadeias de valor da sociobiodiversidade para compreenderem e se reconhecerem em diferentes elos das cadeias de valor nas quais estão envolvidos. Além disso, instrumentalizá-los em técnicas, métodos, informações e conhecimentos necessários para tomada de decisões críticas e incidências políticas visando a defesa de direitos no que ser refere às próprias realidades. O programa de formação será composto por módulos presenciais, intercâmbio de experiências, atividades a serem realizadas entre os módulos presenciais e intervenções diretas nas cadeias de valor da castanha do Brasil diretamente dos territórios beneficiados.

Os principais conteúdos abordados no primeiro módulo, intitulado “Da Floresta à Comunidade”  foram relacionados aos temas básicos envolvidos no conceito de cadeia de valor sustentável e teve como objetivo fomentar discussões acerca da importância, papel e atribuições do participante do processo de formação. Além disso, oferecer conhecimentos específicos sobre a interface entre o uso sustentável de recursos naturais e conservação da biodiversidade, as boas práticas de manejo da castanha e apresentar experiências diversificadas a respeito da organização da produção agroextrativista visando despertar análise crítica nos participantes do processo formativo.

IMG_6969.JPG

Esse primeiro módulo da formação, com duração de 12 dias, aconteceu em Ji Paraná (RO) na Fazendinha Agroecológica, espaço voltado à produção orgânica e consorciada de cacau e outras espécies florestais.  O módulo foi entremeado por um intercâmbio de experiência à Terra Indígena Rio Branco que teve como principal objetivo a troca de saberes e informações sobre a adoção de boas práticas de manejo da castanha do Brasil e a experiência dos povos indígenas e da Associação Doa Txatô na organização social para produção agroextrativista. Os participantes são dos municípios: Beruri-AM, Boca do Acre-AM, Canutama-AM, Lábrea-AM, Manaus-AM, Tapauá-AM, Barcelos-AM, Manicoré-AM, Novo Airão-AM, Ji-Paraná-RO, Guajará Mirin-RO, Costa Marques-RO, Alta Floresta D'Oeste-RO, envolvendo as seguintes áreas protegidas: RESEX Medio Purus, RDS Piagaçú Purus, RESEX Arapixi, RESEX do Rio Cautário, RESEX Ituxi, RESEX Lago do Capanã Grande, RESEX Ouro Preto, RESEX Unini, TI Indigena Rio Branco, TI Caitutu, TI Igarape Lourdes, TI Itixi Mitari, TI Paumari

Durante o curso participaram representantes de diferentes segmentos do movimento social e de organizações governamentais e não governamentais. Joaquim Belo, coordenadora do CNS (Conselho Nacional de Seringueiros) juntamente com o gestor do MMA (Ministério do Meio Ambiente) Leonardo Pacheco e do coordenador do IEB Ailton Dias abordaram temáticas relativas ao histórico de ocupação econômica da Amazônia e da importância da criação de áreas protegidas para conservação da biodiversidade. A pesquisadora e consultora do Serviço Florestal Americano, Kirsten Silvius, abordou, por meio de metodologias participativas, aspectos relativos à ecologia da castanheira.

Andreia Bavaresco, coordenadora pedagógica do programa de formação e André Tomasi, assessor do IEB trabalharam conceitos relativos a cadeias de valor e o panorama atual da cadeia da castanha no Brasil.

Os representantes de organizações não governamentais parceiras, Diogo Giroto da OPAN (Operação Amazônia Nativa), Sávio Gomes, do Pacto das Aguas e Ignácio Olietti da FVA (Fundação Vitória Amazônia), abordaram durante a segunda semana da formação temáticas relativas à importância da adoção de boas práticas de manejo da castanha para a melhoria da produção, organização social para produção e a importância do fortalecimento das comunidades e suas associações representativas para melhorar a relação entre os diferentes elos da cadeia de valor da Castanha do Brasil.

Adevaldo Dias, da ASPROC (Associação dos Produtores Rurais de Carauari) , apresentou a rica experiência do Mercado Ribeirinho Solidário, desenvolvido na região do Médio Juruá, no Amazonas, de fortalecimento da produção local, das cadeias de valor sustentáveis e de iniciativas coletivas e solidárias para a promoção do desenvolvimento sustentável em comunidades tradicionais na Amazônia.

O próximo módulo do Formar Castanha, “Da comunidade ao mercado” será realizado em novembro de 2017, no município de Novo Airão, no Amazonas e terá como foco principal a relação entre as comunidades e as cooperativas e associações e os desafios enfrentados nas relações entre esses elos da produção.

 

 

 







Comentários