No dia do Cerrado, IEB defende a conservação do bioma para a manutenção da biodiversidade e de comunidades tradicionais

Coordenador da estratégia de implementação Regional do CEPF Cerrado, Michael Becker, concedeu entrevista para a Rádio CBN Goiânia sobre o tema

Segundo maior bioma do Brasil, o Cerrado também é o segundo mais degradado. A devastação da cobertura vegetal do bioma já atingiu 50% de sua área original, ou seja, metade do Cerrado já não existe mais, comprometendo nascentes, rios, riachos e seus povos. Sua biodiversidade representa 5% de toda mundial, sendo conhecida como a savana mais rica do planeta. São mais de 10 mil espécies de plantas nativas já catalogadas numa área de mais de 2 milhões de km, cerca de 24% do território nacional, atingindo mais de 1.300 municípios onde vivem mais de 25 milhões de pessoas.

“Temos que lembrar que o Cerrado é compartilhado por vários usuários, entre agricultores, comunidades tradicionais, além de nos prestar muitos serviços, em especial, de fornecer um dos elementos mais preciosos, a água”, destacou o coordenador da estratégia de implementação Regional do CEPF Cerrado do Instituto de Educação do Brasil (IEB), Michael Becker. Ele concedeu entrevista sobre a data comemorativas nesta terça-feira (11) para a Rádio CBN Goiânia. Confira na íntegra (https://www.cbngoiania.com.br/programas/cbn-goiania/cbn-goi%C3%A2nia-1.213644/segundo-maior-bioma-do-brasil-e-o-segundo-mais-degradado-1.1614788)

Considerado o berço da águas, o Cerrado abriga oito das doze regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas. A cobertura vegetal do Cerrado é fundamental para garantir os fluxos hídricos entre as diversas regiões do Brasil, garantindo o transporte de umidade e vapor d’água da bacia amazônica, permitindo a regular umidade do ar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País.

O Cerrado está presente em onze estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, São Paulo, Paraná, Rondônia, além do Distrito Federal. Mas ao contrário do que acontece com a Amazônia, o bioma ainda é pouco monitorado e protegido, principalmente no que diz respeito ao avanço da agricultura. Michael Becker afirma que a atividade não pode ser predominantemente responsabilizada pela degradação do bioma.

“Existem exemplos de boas técnicas realizadas pelos agricultores para conservação do solo e da água. Há muito potencial para a agricultora se destacar como protagonista dessa preservação, pois o a produção é grande e o crescimento é importantes para a economia nacional, mas muito ainda poder ser feito para melhorar essa relação com o Cerrado”, pontuou ao sugerir que a atividade não avance rumo a áreas novas de Cerrado e utilize pastagens degradadas para diminuir a pressão sobre o bioma.

O IEB administra um fundo para a conservação do Cerrado a partir de projetos de desenvolvimento socioambiental. A preservação do bioma deve também perpassar a iniciativa privada, já que as grandes cadeias produtivas, como a soja, se beneficiam do bioma. “Os olhos estão se voltando para o Cerrado e sua importância cresce gradativamente. Esperamos poder conciliar o uso do Cerrado para a agricultura, os povos tradicionais e de todos aqueles que vivem do Cerrado e querem preservar toda sua biodiversidade”, finalizou Becker.

Características únicas

O Cerrado é conhecido por suas características marcantes como a sazonalidade climática com poucos períodos de chuva o que dá ao Cerrado a capacidade de resistir às secas. A diversidade de solos e topografias proporciona a ocorrência de uma enorme diversidade de ecossistemas. Estudos apontam que existem cerca de 10 mil espécies de plantas no Cerrado, das quais 44% são exclusivas do bioma, além de uma fauna riquíssima: com 250 espécies de mamíferos, 856 espécies de aves, 800 espécies de peixes, 262 espécies de répteis e 204 espécies de anfíbios.







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