Luzia Santos: a partida de uma lutadora

O movimento social do Amazonas perde uma de suas mais importantes lideranças
Foto: Maria Emília Coelho/IEB
Foto: Maria Emília Coelho/IEB

Luzia Santos fez sua passagem para outros mundos às três da tarde do dia 03 de fevereiro de 2016. Paranaense de nascimento e amazonense de coração, Luzia Santos da Silva dedicou sua vida na luta pelos direitos dos ribeirinhos, extrativistas e agricultores do Amazonas. Aos 17 anos foi morar em Boca do Acre, município localizado no sul do Amazonas, lugar onde criou seus três filhos e que já se considerava como uma sulista amazonense.

Em Boca do Acre fez sua caminhada como liderança extrativista e esteve à frente do movimento social por mais de 20 anos. Seu maior sonho era o mesmo dos ribeirinhos: vê-los com sua terra regularizada para alcançar as políticas públicas e ter uma vida digna. Incansável na luta pela conquista dos direitos das populações extrativistas, ela sempre buscou o diálogo com o governo e liderou o movimento social de Boca do Acre nesse sentido.

Luzia participou ativamente na criação do Fórum de Desenvolvimento Sustentável de Boca do Acre, instituído em 2011, e que foi fundamental para organizar os seminários de regularização fundiária. Ela atuou como diretora do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) em Boca do Acre de 2011 a 2015.

Uma das lideranças mais importantes e lúcidas de toda a Amazônia, Luzia foi uma grande batalhadora pelas causas sociais e pela reforma agrária em particular. Com uma conduta pessoal irreparável e energia militante combinada com leveza e simplicidade, marcou a todos/as que tiveram a oportunidade de conviver e trabalhar com ela.

Deixa como legado a sua atuação exemplar enquanto liderança, o chamado à participação das pessoas na vida política da sociedade, a solidariedade, luta pela justiça e esperança num país melhor para todos.







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