Lideranças se reúnem para o primeiro encontro do Liderar

O encontro foi marcado com a reflexão sobre as ameaças enfrentadas pelas lideranças
Foto: Letícia Freire/IEB
Foto: Letícia Freire/IEB

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e a Escola de Ativismo realizaram o primeiro encontro de aprendizagem do Programa Liderar em Brasília de 9 a 17 de abril. A quarta edição contou com a participação de lideranças do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima e Mato Grosso. Uma turma diversa formada por 21 lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas e trabalhadores rurais. Neste ano a turma conta com a representação de sete etnias: Apurinã, Macuxi, Arara, Xikrin, Parintintim, Parakanã e Jiahui.

Duas lideranças experientes foram convidadas para compartilhar com os participantes suas trajetórias e experiências de vida e de luta: Sônia Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), e Manoel Cunha, tesoureiro do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), que relataram suas “histórias inspiradoras”. 

Os participantes contaram suas histórias de vida e tiveram a oportunidade de refletir sobre os sentidos de “liderar” diante dos desafios e das experiências de vida e de luta que trazem. “Eu achei interessante as histórias de vida dos outros participantes porque é mais uma motivação para estarmos na luta”, disse Madson, jovem liderança da Reserva Extrativista Marinha de Soure, em Marajó, no Pará.

Como exercício de análise do contexto socioambiental amazônico, eles mapearam as pressões e ameaças aos seus territórios na região. “Eles trouxeram preocupações do cotidiano e das realidades para discutir com relação às estradas, hidrelétricas, impactos da pecuária. São pessoas que estão trocando experiências para pensar como eles vão fazer para buscar os direitos que possuem e minimizar os impactos”, explicou Francivane Fernandes, assessora de projetos do IEB. Márcio Santilli, sócio fundador do Instituto Socioambiental (ISA), conversou com a turma e trouxe elementos para a reflexão sobre o atual momento político-econômico do país, que afeta diretamente a vida dos povos da floresta. 

O programa também contou com a participação de Edoniete Ribeiro, ex-participante do Programa Liderar e jovem liderança do rio Aripuanã, em Manicoré, no Amazonas, que vem se destacando no sul do Amazonas, para contar sua experiência na edição anterior do Liderar.

Histórico dos movimentos sociais

Os participantes construíram uma linha do tempo com os principais marcos da luta social para as suas comunidades e regiões. A atividade foi proposta com o objetivo de mostrar as conquistas alcançadas por eles. Leonardo Pacheco, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foi convidado para colaborar contando o histórico das lutas sociais na Amazônia.

A última atividade do encontro foi trabalhar com a ferramenta conhecida como árvore de problemas. “Esse é um método para trabalhar de forma participativa com a comunidade para entender melhor de onde vem os problemas que geram outros problemas”, afirmou Marcelo Marquesini, da Escola de Ativismo. 

Próximo encontro

O próximo encontro está marcado para os dias 9 a 17 de julho em Brasília. Os participantes vão contar com a monitoria de membros das equipes do IEB e da Escola de Ativismo para serem orientados nas atividades que serão desenvolvidas nesse período. “Apresentamos para eles a proposta de atividades a ser desenvolvida no ‘tempo-comunidade’ e explicamos como se dá a monitoria. Destacamos que nós não faremos as atividades por ou para eles, mas atuaremos como interlocutores. O protagonismo é todo deles, que são os atores locais capazes de mobilizar a participação das comunidades e catalisar os processos de mudança”, disse Henyo Barretto, coordenador político pedagógico do programa.

Texto: Letícia Freire







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