IEB encerra Seminário de Gestão Integrada com expectativa de colocar em prática amplo debate sobre o Sul do Amazonas

A experiência de Gestão Integrada desenvolvida no Sul do Amazonas foi considerada por muitas instituições participantes como exemplo de práticas para outras localidades do país.

O IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) promoveu, na última semana em Lábrea (AM), o Seminário Final de Gestão Integrada de Terras Indígenas e Unidades de Conservação no Sul do Amazonas. O evento representa a última etapa de um esforço de capacitação para extrativistas, índios e servidores, entre outros, que durou um ano. O seminário, que durou três dias, contou com a participação de mais de 30 pessoas representando oito associações indígenas, sete extrativistas, três coordenações regionais da Fundação Nacional do Índio (Funai) e uma do ICMBio, dos municípios de Humaitá, Boca do Acre, Pauini e Lábrea, e evidenciou que os processos formativos são ferramentas importantes para tratar a questão na interface de terras indígenas e unidades de conservação.

O Sul do Amazonas é uma região de grande diversidade social, que enfrenta várias ameaças (desmatamento, roubo de madeira, coleta ilegal de quelônios, pesca e garimpo irregulares),  e une de forma inovadora populações de extrativistas e povos indígenas e suas organizações de base, instituições governamentais, e organizações da sociedade civil, por meio da Gestão Integrada.

Durante o curso foi elaborado um plano de ação, validado por todos os participantes, que será implementado com o apoio das instituições presentes. Segundo o coordenador do Programa Povos Indígenas do IEB, Cloude Correa, a ideia é que daqui pra frente esse plano seja sistematizado e divulgado de forma bem mais ampla. “O que ficou muito evidente no seminário é que esse debate da Gestão Integrada de Terras Indígenas e Unidades de Conservação faz parte de um processo longo e aqui foi dado o primeiro passo. O mais importante agora é conseguir tirar do papel essas ações para que sejam executadas na prática”, afirmou.

Cloude explica que, outro aspecto importante foi o fato da discussão ter sido feita de “baixo pra cima”, ou seja, inicialmente com os extrativistas, com os indígenas, os gestores da Funai, gestores do ICMBio locais para depois dialogar com outras instâncias de governo. “Nosso debate começou pela sua base e não tendo como alicerce uma visão de fora do contexto do Sul do Amazonas”, explicou.

Já para o diretor de Ações Socioambientais do ICMBio, Claudio Maretti, que representou o presidente do Instituto, Ricardo Soavinski, no evento, o plano aprovado, em si, não é revolucionário. Ele apresenta demandas e propostas de ações de mais e melhor fiscalização, continuidade da capacitação e melhor comunicação, fortalecimento da integração produtiva (coleta de castanha-da-Amazônia, manejo sustentável do pirarucu, manejo sustentável madeireiro sustentável etc.), participação mútua maior e melhor em colegiados, entre outras ações.  “Todos acreditam que isso é inovador, qualquer que seja o nome, e deve não só ser implementado, mas também suas lições aprendidas para casos que precisam de sinergia de interesses e ações ou resoluções de conflitos”, disse.

Já para a secretária de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Juliana Simões, que representou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, no evento, é muito positiva está oportunidade que o seminário, liderado pelo IEB, nos oferece de ouvirmos essas demandas e propostas legítimas dos povos indígenas e das populações tradicionais extrativistas. “Esperamos receber o plano para tornarmos oficial nossa reação a ele", afirmou.

O coordenador geral de Gestão Ambiental, Fernando Vianna, também representando o diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Funai, entende que esta é uma excelente oportunidade para implementar melhor a política de gestão ambiental e territorial das terras indígenas, inclusive no seu eixo 3, que lida com as interfaces territoriais entre terras indígenas e unidades de conservação.

A experiência de Gestão Integrada desenvolvida no Sul do Amazonas, principalmente por meio do processo formativo desenvolvido no curso, foi considerada por muitas instituições participantes como exemplo de práticas para outras localidades do país podendo ser replicado.

O seminário também abordou o conceito de Gestão Integrada, já que todo debate respeitou diferenças culturais, sociais entre extrativistas e indígenas, além das complexidades da atuação de órgãos de governo como a Funai e o ICMBio. “Nosso principal objetivo é a união entre todos esses atores e instituições da sociedade civil e de governo para fortalecer esse processo”, disse.

“Vamos formar uma rede que fortaleça  essa discussão de gestão integrada. Nossa ideia agora é criar alguma ferramenta de comunicação para manter essa rede viva, ativa e interagindo, conclui.

 

 

 

 

 

 







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