IEB encerra Curso de Gestão em Recursos Naturais com certificação de comunitários marajoaras

Dezesseis lideranças comunitárias de três municípios marajoaras foram certificadas durante o evento

Por: Ascom IEB/ Juliana Lima 

De 14 a 16 de dezembro, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), por meio do Projeto Embarca Marajó, realizou o quarto e último módulo do Curso de Capacitação em Gestão dos Recursos Naturais (GRN), em Portel/PA. Com o tema "Organização Social e Empreendimentos Florestais Comunitários", a iniciativa foi concluída com a certificação de 16 lideranças comunitárias, de três municípios marajoaras: Portel, Curralinho, Breves.

Contexto
 “A extração madeireira por grandes empresários sempre foi um dos principais problemas que tivemos”, conta Maria Santana, comunitária de Portel.  A fala de Santana é recorrente entre os comunitários do Marajó. O problema gera o “efeito dominó”, visto que as adversidades ambientais também resultam em dificuldades sociais, como afirma Gracionice Corrêa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Portel (STTR-Portel). “Hoje, as atividades clandestinas de extração de madeira trazem mão de obra irregular. Fora o crescimento populacional, essa mão de obra utiliza-se de produtos químicos e isso compromete não só o meio ambiente, mas a saúde da população local”, complementou a Gracionice.

Outro agravante da situação dos moradores da região é a falta de acesso a recurso público, explica Marcilei Barcelos, comunitário de Curralinho. “Além de levarem as nossas riquezas naturais, ainda temos esse problema. Nem sempre conseguíamos nos enquadrar nos programas do governo para recebermos ajuda assistencial, mesmo que nós tenhamos direito a ela. A partir desse cenário, nós entendemos que faltava organização para a gente”.

Com esse novo olhar sobre a própria realidade e o estabelecimento de parcerias, associações se formaram no Marajó, a exemplo da Associação Agroextrativista do Rio Acangatá e da Associação de Pesca Artesanal do Pará (AquaPará), presididas por Santana e Marcilei, respectivamente. Entretanto, os comunitários afirmam que no decorrer de suas trajetórias esbarram constantemente em uma necessidade comum: a capacitação.

GRN

A partir dessa demanda, o IEB, no âmbito do projeto Embarca Marajó, passou a realizar na região a atividade formativa GRN, que foi desenvolvida em quatro módulos e considerou a abordagem da gestão compartilhada como uma nova possibilidade na forma de fazer gestão do uso dos recursos naturais no território marajoara.  “A questão central do curso foi o debate da governança florestal no Marajó, considerando-se a discussão sobre gestão dos recursos naturais, com ênfase no Manejo Florestal  Comunitário e Familiar (MFCF), a fim de fornecer bases para o fortalecimento de um modelo de desenvolvimento local, a partir de políticas públicas. A sustentabilidade dos agrossistemas foi o elemento norteador do processo formativo”, explica Ruth Corrêa, coordenadora de projetos do IEB.

“Organização Social, com foco no Associativismo e Cooperativismo”, “Gestão dos Recursos Naturais: Monitoramento e Controle Ambiental”, Licenciamento e Habilitação para o MFCF, foram os temas abordados durante os módulos do curso. O quarto e último módulo refletiu sobre a organização social e empreendedorismo florestal como alternativas para o sucesso econômico dos comunitários. Adebaro Reis, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), apresentou durante o GRN a economia solidária como um modo coletivo de produção, venda e compra, que gera relações vantajosas a todos os envolvidos e onde não há exploradores e explorados. Para Adebaro, a prática da econômica solidária também contribui para a sustentabilidade dos territórios, quando se alia, por exemplo, ao MFCF, que busca associar rentabilidade à conservação dos recursos naturais.

Além das discussões sobre empreendedorismo florestal, o último módulo do curso finalizou com a certificação dos 16 comunitários em Gestão de Recursos Naturais.

Certificação

Santana caminha até seu certificado com a sensação de dever cumprido e segura com força nas mãos aquela que não apenas uma folha de papel, mas o resultado dos aprendizados e esforços despendidos até ali. Segundo a comunitária, a cabeça também divagava sobre o futuro e a certeza de que a diferença começaria a ser feita a partir dali.  “O curso foi muito importante, principalmente dentro das articulações e do fortalecimento institucional das nossas associações. Ele contribuiu grandemente para a nossa atuação dentro de cada comunidade no Marajó. Porém, sabemos que a nossa batalha continua, só que com armas mais poderosas”, ressaltou.

Agora, Santana e as quinze demais lideranças comunitárias extrativistas ou agroextrativistas voltam pra casa com o as mesmas aspirações descritas por Marcilei: “Retornamos às nossas comunidades dispostos a sermos multiplicadores desse conhecimento que tivemos acesso durante o GRN. A mudança da nossa realidade começa por nós e estamos dispostos a militar a favor da sustentabilidade em nossos territórios". 

 

 

 

 

 

 

 







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