Gestores do ICMBio em Unidades de Conservação participam de capacitação em Brasília  

Além de uma ampla avaliação sobre o programa Bolsa Verde e seu impacto na Amazônia, o encontro também também discutiu a situação de áreas protegidas no atual contexto político ambiental.

Brasília recebeu, entre os dias 14 a 18 de agosto, uma nova etapa do Programa de Capacitação “Formar Agroextrativismo”, realizado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no âmbito do Programa Bolsa Verde.

Esse ciclo foi voltado para Gestores do ICMBio. A primeira rodada em Belém, Santarém, Manaus e Acre, reuniu lideranças de Unidades de Conservação beneficiadas pelo Bolsa Verde. O objetivo do “Formar Agroextrativismo” é capacitar 100 lideranças e 25 gestores de 37 Unidades de Conservação (UC) da Amazônia (Amazonas, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão e Pará), fortalecer a produção sustentável e a defesa dos territórios.

Durante cinco dias, 25 gestores do ICMBio debateram em Brasília sobre a questão territorial, conformação das Unidades, situações de conflitos e compartilharam suas visões e experiências junto às comunidades. Participam dos debates, dirigentes do ICMBio, representantes de organizações da sociedade civil, como da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (CONFREM), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM) e pesquisadores.

“Esse curso com os gestores visa refletir o acúmulo que temos discutido com as lideranças agroextrativistas, a percepção deles, os desafios da gestão das Unidades de Conservação e fazer uma espécie de aprofundamento desse debate. O objetivo principal de tudo isso é discutir as lições e pensar alternativas para o fortalecimento de programas que promovam a conservação dentro das UCs”, explicou o coordenador executivo do IEB, Manuel Amaral Neto.
 
Além de uma ampla avaliação sobre o programa Bolsa Verde e seu impacto na Amazônia, os temas debatidos pelo grupo incluíram a situação de áreas protegidas no atual contexto político ambiental, instrumentos de gestão e monitoramento em Unidades de Conservação, alternativas para inclusão socioprodutiva, organização social e a gestão compartilhada de UCs.
 
“Essas capacitações, encontrar outros gestores, trocar experiências, e saber mais o que a Sede do ICMBio tem trabalhado, são sempre momentos ricos. Interessante existir esse módulo conosco, gestores, mas também as outras formações com os comunitários. Esse pra mim que é o ponto chave. Nós estamos sendo capacitados para dar suporte para eles no desenvolvimento das ações”, avaliou Rafael Suertegaray Rossato, gestor na Floresta Nacional de Tefé.
 
Cristina da Silva, gestora na Resex Chico Mendes, compartilha dessa opinião. Para ela, aprender sobre novas metodologias e ferramentas de gestão e monitoramento fortalecem o trabalho junto às comunidades.
 
“O nosso objetivo maior é fazer uma gestão compartilhada de forma horizontal, 50% comunidade, 50% ICMBio. Se tivermos ferramentas de monitoramento, opiniões e avaliações poderemos trabalhar de forma muito melhor para a comunidade. Ela terá credibilidade e vai se sentir empoderada daquilo que estamos fazendo e do que ela também pode fazer”, disse.
 
Bolsa Verde
No país mais de 50 mil famílias recebem recursos do Bolsa Verde. Entre os objetivos do programa está a participação dos beneficiários em ações de capacitação. O Formar Agroextrativismo é uma das estratégias para colocar em prática essa finalidade.
 
O Programa concede R$ 300, de três em três meses, para residentes em áreas de prioridade de conservação ambiental, dentre as quais, as Reservas Extrativistas, as Florestas Nacionais e os Projetos de Assentamento. Ser registrado no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e residir em áreas que estejam de acordo com as leis ambientais são critérios para receber o recurso.
 
“Gestores e agentes são peças fundamentais para o objetivo do programa, uma vez que eles são a representação do governo mais forte nessas áreas”, afirmou Leonardo Pacheco, gerente do programa Bolsa Verde do MMA. Segundo ele, esse é um momento importante de troca e diálogo. “O fato de eles estarem lá lidando com isso no dia-a-dia nos dá um subsídio valiosíssimo para conseguirmos aperfeiçoar a política e fazer com que ela de fato atenda a demanda do público ao que ela se propõe a beneficiar”, avaliou.







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