Conflitos agrários se intensificam em Boca do Acre

Grupo de 17 pessoas foi preso sob a acusação de crime ambiental e invasão de terras

Os conflitos agrários de Boca do Acre, município localizado no sul do Amazonas, se intensificaram no dia 23 de fevereiro quando um grupo de 17 pessoas foi preso sob a acusação crime ambiental e invasão de terras na área no Ramal do Garrafa, ocupada por posseiros em uma área de aproximadamente 9 mil hectares do total de 150 mil hectares da fazenda Palotina. Essa fazenda está próxima de duas áreas: o Seringal Novo Natal e a Floresta Nacional do Iquiri.

O grupo foi solto somente depois do pagamento da fiança estipulada em 15 mil reais. Cosme Capistano, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Boca do Acre, estava entre o grupo de pessoas que foram presas e foi acusado de incentivar os posseiros a permanecerem no local.

No dia 29 de janeiro representantes dos órgãos fundiários e do movimento social se reuniram em Manaus para tratar do conflito no Ramal do Garrafa. Um dos encaminhamentos da reunião foi que a CPT ficaria responsável por tirar os pontos de GPS da área ocupada para serem repassados para a Ouvidoria Agrária Nacional. Na reunião estavam presentes os representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Boca do Acre (STTR), da CPT e as lideranças do acampamento Malocão.

Por meio de nota a CPT esclareceu a sua atuação na área. “A CPT presta um serviço educativo para as comunidades rurais envolvidas em conflitos e/ou tenham seus direitos ameaçados. Ou seja, a CPT não solicita que haja ocupações ou toma decisões pelas comunidades, são as comunidades que tomam as decisões, cabendo a CPT o trabalho de assessoria política”, informou a nota.

Cosme Capistano e Maristela Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Boca do Acre (STTR) denunciaram a violência da Polícia Militar de Boca do Acre na ação ocorrida no dia 22 de janeiro, quando uma equipe da polícia militar chegou na área sem documento legal que comprovasse a ação de despejo ou de reintegração de posse e ainda assim derrubaram três barracos, local onde as famílias de reuniam e trabalhavam em forma de mutirão. Além disso, deram ordem de prisão e afirmaram que todos tinham que ir à delegacia prestar depoimento.

Os representantes do movimento social exigem que as autoridades competentes tomem as devidas providências para que o campo não se torne um espaço de tortura e violência. O movimento social de Boca do Acre está organizando uma audiência pública sobre regularização fundiária em abril e eles esperam discutir essa situação. “Nós esperamos que na audiência digam qual é o papel da polícia e que o Incra se manifeste”, afirmou Cosme Capistano.

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) reitera a preocupação com a violência no campo no município de Boca do Acre e espera que os órgãos fundiários contribuam para a regularização fundiária.







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