Agricultura Familiar e Governança socioambiental na Amazônia são tema de debate

Durante o evento foi lançado o livro “Governança Socioambiental na Amazônia: Agricultura familiar e os desafios para a sustentabilidade em São Félix - Pará”

Por Juliana Lima/ Ascom IEB

No último dia 16 de junho, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) participou do “Diálogo sobre Agricultura Familiar e Governança Socioambiental na Amazônia”. O evento aconteceu em Belém/PA e foi realizado pelo Núcleo de Agroecologia AJURI (NEA AJURI), Grupo de Pesquisa Biodiversidade, Sociedade e Educação na Amazônia (BIOSE), Núcleo de Agroecologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - Campus Castanhal (NEA IFPA-Castanhal), Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Pará (NCADR-UFPA) e IEB. Na ocasião, também foi lançado o livro “Governança Socioambiental na Amazônia: Agricultura familiar e os desafios para a sustentabilidade em São Félix - Pará, publicado pela editora Mil Folhas.


Diálogos

O evento se centralizou no debate das lógicas familiares de produção e suas estratégias sustentáveis. Durante o Diálogo foram apresentadas desde experiências em ambientes tradicionais da Amazônia (rios e várzeas) até em territórios marcados por fortes dinâmicas migratórias e impactados pelo modelo agroindustrial de exploração da biodiversidade regional.

Para o professor Willian Assis, Coordenador do Programa de Pós Graduação de Agriculturas Amazônicas (PPGAA), do NCADR-UFPA,
 os debates promovidos no evento começam com a problematização do atual modelo de produção predominante. “O ambiente e a produção de alimentos são voltados para estratégias ‘macro’ e essas estratégias vão orientar a maneira de produzir e se relacionar com o meio. Isso afeta segmentos como agricultura familiar e o meio ambiente, porque nessa perspectiva os elementos naturais não são considerados”, afirma o professor.

A partir desse cenário, a governança socioambiental foi discutida como uma alternativa para que as comunidades possam ter um mínimo de controle social sobre a gestão dos seus territórios, gerando resistência ao atual modelo de produção e garantindo renda a partir do uso sustentável dos recursos naturais.

Manuel Amaral, coordenador executivo do IEB, ressalta a contribuição do evento para as discussões sobre o tema.   “Essa iniciativa foi estratégica para promoção de diálogos entre acadêmicos (docentes, discentes, pesquisadores) e sociedade civil. Foi enriquecedora a troca de conhecimentos e a oportunidade de divulgar para a sociedade alguns dos muitos processos de construção coletiva e participativa de conhecimentos agroecológicos na região amazônica, como a atuação do IEB em São Félix do Xingu (SFX)”.

 

Lançamento

No decorrer do evento também foi lançado o livro “Governança Socioambiental na Amazônia: Agricultura familiar e os desafios para a sustentabilidade em São Félix - Pará”, resultado do trabalho do IEB em São Félix do Xingu, iniciado em 2008, em parceria com Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar do Alto Xingu (Adafax) e apoio do Fundo Vale.

A obra reúne uma série de dados e análises de São Félix do Xingu, segundo maior município paraense, marcado por uma trajetória de impactos socioambientais e lutas por um ambiente mais sustentável na região.

Romier Sousa, professor do IFPA e um dos organizadores do livro, ressaltou a importância de socializar as discussões trazidas pela sistematização com atores sociais tão diversos.  “Hoje, 70% dos créditos rurais do Pará são direcionados para a pecuária. A experiência em SFX deixa claro que os agricultores têm o interesse de desenvolver outras atividades, mas o modelo atual do crédito não favorece isso. Por isso é importante essa socialização, porque a sistematização dessa experiência talvez possa ajudar no debate das políticas públicas e do crédito, de forma a promover o desenvolvimento sustentável e a agricultura de base ecológica na região”.

Para Mauro Silva, professor do NCADR-UFPA, o livro tira da invisibilidade processos existentes no território paraense. “Acho fundamental dar visibilidade a determinados processos, que são necessários para a mudança da sociedade em que estamos vivendo. O livro materializa os elementos de todo o discurso que fazemos. Não basta fazer um bom discurso, temos que disseminar conhecimento. E essa sistematização permite isso!”, conclui. 







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